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Depois de Tantos Anos

Retorno a Canterlot

Depois de Tantos Anos

Retorno a Canterlot

Capítulo 1 · 46 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto

O som das rodinhas das malas ecoava pelo corredor como um tambor irregular, anunciando sua chegada a cada solavanco nas juntas do piso de madeira envelhecida do dormitório Hawthorne Hall. Rarity Belle franziu o nariz, os dedos bem cuidados apertando a alça de couro legítimo da mala Louis Vuitton — um presente de formatura do ensino médio que seus pais haviam economizado meses para comprar — enquanto seus saltos Louboutin clicavam contra o chão com a precisão de um metrônomo irritado.

Ela odiava carregar peso. Odiava a forma como o suor ameaçava brotar em suas têmporas. Odiava a maneira como sua postura perfeita começava a ceder depois de doze horas de voo, duas escalas e um táxi que cheirava a cigarro velho e arrependimentos.

Mas, acima de tudo, odiava a sensação de estar voltando para um lugar que já foi seu e que agora parecia estranhamente alheio, como uma fotografia antiga que você não reconhece mais.

— Ainda não acredito que você voltou.

A voz suave de Fluttershy flutuou até ela como uma brisa de primavera, gentil e familiar. A garota caminhava a seu lado, os braços finos abraçando uma caixa de papelão marcada com a palavra "FRÁGIL" em letras roxas desenhadas à mão. Seus longos cabelos rosa-claro balançavam a cada passo, e o cardigan cor de lavanda que usava parecia envolvê-la em uma nuvem de delicadeza.

— Nem eu — Rarity respondeu, e a risada que escapou de seus lábios era mais exausta do que divertida.

Anos. Três anos, quatro meses e vinte e dois dias, para ser exata. Ela havia contado cada um deles nas noites solitárias do apartamento minúsculo em Milão, onde o aquecedor quebrava todo inverno e o cheiro de tinta fresca e tecidos caros impregnava suas roupas. Três anos construindo um portfólio que faria qualquer recém-formada chorar de inveja. Três anos estagiando com designers que pronunciaram seu nome com sotaques diferentes e expectativas impossíveis. Três anos perseguindo um sonho que parecia tão distante quanto as estrelas quando ela era apenas uma adolescente dramática em uma cidade pequena, desenhando vestidos nas margens dos cadernos e sonhando com passarelas que existiam apenas em sua imaginação.

E agora estava ali.

De volta a Canterlot.

De volta para casa — se é que ainda podia chamar este lugar assim.

Fluttershy empurrou a porta do quarto 312 com o ombro, e o mecanismo rangeu em protesto antes de ceder. A luz da tarde de setembro invadiu o espaço como uma onda dourada, revelando partículas de poeira dançando no ar como confetes minúsculos. O quarto era modesto — todos os quartos do dormitório Hawthorne eram — mas tinha janelas grandes que davam para o pátio principal do campus, onde as árvores começavam a exibir os primeiros tons de âmbar e carmesim do outono que se aproximava.

— Não mudou muito desde que você foi embora — Fluttershy comentou, depositando a caixa sobre a cama vazia com o cuidado de quem manuseava um animal ferido.

Rarity entrou devagar. Seus olhos azuis claros percorreram cada centímetro do ambiente como se estivesse catalogando mentalmente todas as imperfeições: a tinta descascando no canto do teto, o carpete desgastado perto da porta, a persiana que pendia ligeiramente torta na janela da esquerda. As paredes eram de um bege institucional que ela sempre odiou, e o cheiro era uma mistura estranha de produtos de limpeza industrializados e memórias adormecidas.

Era estranho.

Familiar demais.

O mesmo tipo de familiaridade que fazia seu peito apertar e sua garganta fechar. A mesma sensação que tinha quando encontrava uma fotografia antiga escondida em um livro, ou quando sentia o cheiro de torta de maçã assando e era transportada instantaneamente para uma cozinha que não visitava há anos.

— Twilight está surtando porque você voltou — Fluttershy disse, abrindo outra caixa e revelando uma coleção impecavelmente organizada de livros de moda, cadernos de desenho e estojos de costura importados.

— Isso não é novidade. — Rarity sorriu, o primeiro sorriso genuíno desde que o avião pousara.

— Ela fez uma lista.

— Claro que fez.

As duas riram, e o som preencheu o quarto vazio com uma calidez que as paredes não sentiam há muito tempo. Mas o sorriso de Rarity desapareceu alguns segundos depois, desmanchando-se como açúcar em água quente, porque havia uma pergunta que ela queria fazer desde o momento em que comprou a passagem de volta. Uma pergunta que estava evitando com a mesma determinação que usava para evitar carboidratos depois das sete da noite. Uma pergunta que queimava em sua língua como um gole de café quente demais, esperando o momento certo para ser engolido.

— E a Applejack?

O nome escapou de seus lábios antes que pudesse contê-lo, e ela imediatamente se arrependeu. Não pela pergunta em si, mas pela forma como sua voz vacilou na segunda sílaba, como se o próprio nome tivesse o poder de desestabilizá-la.

Fluttershy ficou em silêncio.

Um silêncio que se estendeu por três segundos, quatro, cinco — e cada um deles foi uma agulha fincando o coração de Rarity.

Ela conhecia aquele silêncio. Era o silêncio de alguém que estava escolhendo cuidadosamente as palavras, pesando-as em uma balança invisível, tentando decidir quanto da verdade poderia ser revelado sem causar danos irreparáveis. Era o silêncio que Fluttershy usava quando sabia algo que não queria contar, quando carregava um segredo que não lhe pertencia, quando estava presa entre a lealdade a uma amiga e a incapacidade de mentir.

Aquilo foi suficiente para fazer o estômago de Rarity afundar como um navio atingido por um torpedo.

— O que tem ela? — Rarity insistiu, e sua voz saiu mais afiada do que pretendia, um mecanismo de defesa automático que ela desenvolvera durante anos de negociações com fornecedores arrogantes e críticos pretensiosos.

— Nada.

Mentira.

Fluttershy era péssima mentirosa. Suas bochechas adquiriram um tom rosado que não tinha nada a ver com o blush que ela usava. Suas mãos começaram a alisar o tecido do cardigan compulsivamente. Seus olhos verde-água desviaram para a janela, para o chão, para qualquer lugar que não fosse o rosto de Rarity.

Rarity a conhecia há tempo demais. Elas haviam crescido juntas, compartilhado segredos, superado medos. Rarity sabia interpretar cada microexpressão daquela garota melhor do que interpretava os padrões complexos que desenhava para suas coleções.

— Fluttershy.

O tom era calmo, mas carregava uma autoridade inquestionável. Era a voz que Rarity usava quando precisava de respostas, quando estava disposta a esperar o tempo que fosse necessário para obtê-las.

A garota de cabelos rosados suspirou. Seus ombros caíram, e por um momento ela pareceu menor do que realmente era, como se o peso da conversa que estava por vir a estivesse comprimindo contra o chão.

— Ela está bem — disse finalmente, e as palavras saíram apressadas, como se estivesse tentando se livrar delas o mais rápido possível.

— Eu não perguntei isso.

Outro silêncio.

Mais longo desta vez.

Rarity sentiu o coração acelerar. Não era a aceleração agradável de quando recebia um elogio inesperado ou de quando finalizava um vestido particularmente desafiador. Era a aceleração do pânico, a adrenalina que precedia as más notícias, o instinto primal de luta ou fuga que fazia seus músculos tensionarem e sua respiração ficar superficial.

Porque, pela primeira vez desde que voltou, algo parecia diferente.

Muito diferente.

Ela havia imaginado este momento centenas de vezes durante os anos no exterior. Havia criado cenários elaborados em sua mente durante as noites insones de inverno, quando o frio milanês se infiltrava pelas frestas da janela e a solidão se tornava quase insuportável. Em todas as suas fantasias, Applejack estava lá: parada no portão do aeroporto com aquele chapéu ridículo que insistia em usar, os olhos verdes brilhando de emoção, os braços fortes se abrindo para um abraço que diria mais do que mil palavras.

Em todas as suas fantasias, o tempo não havia passado.

Em todas as suas fantasias, o amor permanecia intacto, preservado em âmbar como um fóssil precioso, esperando apenas o momento de ser redescoberto.

Mas a vida real não era como suas fantasias.

A vida real era este quarto vazio, estas caixas empilhadas, este silêncio carregado de significados que ela ainda não compreendia completamente.

— O que aconteceu enquanto eu estava fora?

A pergunta pairou no ar como fumaça, densa e impossível de ignorar.

Fluttershy mordeu o lábio inferior, um gesto nervoso que Rarity já havia testemunhado inúmeras vezes. A garota parecia estar travando uma batalha interna, e Rarity podia quase ouvir o som das engrenagens em sua mente girando, processando, avaliando.

— Você deveria conversar com ela — Fluttershy disse finalmente, e cada palavra foi pronunciada com um cuidado meticuloso, como se estivesse caminhando sobre uma ponte de vidro que poderia se estilhaçar a qualquer momento.

Não era a resposta que Rarity queria.

Mas era a resposta que precisava.

Porque naquele momento, parada no meio do quarto 312 do dormitório Hawthorne, com os últimos raios do sol de setembro pintando sombras douradas nas paredes beges e o som distante de estudantes conversando no pátio ecoando através da janela aberta, Rarity Belle entendeu uma coisa fundamental.

O tempo não tinha parado quando ela foi embora.

A vida continuou.

Para todo mundo.

Inclusive para Applejack.

(...)

Rarity passou as três horas seguintes desfazendo as malas em um estado de semi-torpor, seus movimentos mecânicos contrastando com o turbilhão de pensamentos que girava em sua mente como um carrossel descontrolado. Ela pendurou vestidos em cabides de veludo, organizou sapatos por cor e ocasião, dispôs seus preciosos cadernos de desenho em uma estante que Fluttershy montara enquanto ela estava distraída. Cada ação era executada com a precisão de quem havia aprendido que a ordem externa poderia, ocasionalmente, impor ordem ao caos interno.

Mas não estava funcionando desta vez.

A cada blusa de seda que ela dobrava, a cada frasco de perfume que posicionava na penteadeira, a pergunta ecoava em sua mente como um mantra cruel: o que aconteceu enquanto eu estava fora?

— Quer jantar no refeitório? — Fluttershy ofereceu, sua voz carregada de uma esperança gentil, como se uma refeição pudesse de alguma forma dissipar a tensão que agora preenchia cada centímetro do quarto. — O cardápio de hoje é...

— Não estou com fome.

Era mentira. Seu estômago roncava desde o meio-dia, quando comera apenas um pacote minúsculo de amêndoas durante a escala em Lisboa. Mas a ideia de enfrentar o refeitório, de ver pessoas, de encontrar conhecidos que fariam perguntas e exigiriam respostas — era demais para processar naquele momento.

Fluttershy pareceu hesitar por um instante, seus olhos verde-água carregados de uma preocupação que não ousava se transformar em palavras. Então ela simplesmente assentiu, pegou sua bolsa e saiu, fechando a porta com um clique suave que pareceu mais definitivo do que deveria.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Rarity sentou-se na cama recém-arrumada, os lençóis de seda importada contrastando com o colchão barato do dormitório. Seus dedos encontraram automaticamente o pingente que pendia em seu pescoço — um pequeno cristal violeta que ganhara em seu décimo sexto aniversário — e começaram a girá-lo distraidamente, um hábito nervoso que nunca conseguira abandonar.

O crepúsculo havia transformado o céu em uma tela impressionista de laranjas, rosas e violetas. As luzes do campus começavam a acender uma a uma, pequenos pontos de calor artificial que pontuavam a paisagem como vaga-lumes domesticados. Da janela, Rarity podia ver grupos de estudantes caminhando pelos jardins, suas silhuetas recortadas contra o horizonte, suas risadas carregadas pelo vento de setembro como folhas soltas.

Ela conhecia cada canto deste campus.

Ali estava o carvalho centenário onde costumava sentar para desenhar, suas raízes expostas formando assentos naturais que haviam testemunhado incontáveis tardes de estudo e confidências. Mais além, o prédio de tijolos vermelhos do departamento de artes, onde passara horas incontáveis debruçada sobre máquinas de costura e manequins de costura. A biblioteca com suas torres góticas que pareciam saídas de um romance vitoriano. O café perto do portão principal, famoso por servir o pior expresso da cidade e os melhores croissants.

E para além do campus, na periferia da cidade, a estrada de terra batida que levava à fazenda dos Apple.

O lugar onde seu coração havia ficado por três anos, quatro meses e vinte e dois dias.

Rarity fechou os olhos, e as memórias vieram como uma enxurrada impossível de conter.

(...)

Tinha dezessete anos quando beijou Applejack pela primeira vez.

Era outono, como agora. As macieiras estavam carregadas de frutas maduras, o ar perfumado com o cheiro doce da colheita e da grama recém-cortada. Elas estavam no celeiro — o velho celeiro vermelho que os Apple usavam para armazenar equipamentos e fardos de feno — fugindo de uma festa de fim de ano que Pinkie Pie insistira em organizar.

— Você tá tremendo — Applejack observou, sua voz aquele sotaque arrastado do interior que Rarity sempre achara curiosamente charmoso.

— Estou com frio.

— A gente pode voltar pra festa.

— Não quero.

Applejack não perguntou por quê. Ela simplesmente tirou sua jaqueta jeans e colocou sobre os ombros de Rarity. O tecido cheirava a feno, suor e algo que Rarity só podia descrever como "ar livre" — uma combinação que não deveria ser agradável, mas que de alguma forma era a coisa mais reconfortante do mundo.

— Obrigada.

— Não precisa agradecer.

Ficaram em silêncio por um tempo, observando as estrelas através das frestas do telhado. A lua estava cheia aquela noite, derramando luz prateada sobre os fardos de feno e as ferramentas enferrujadas. Rarity podia ouvir o som distante da música tocando na casa principal, as risadas abafadas de seus amigos, o latido ocasional de Winona correndo pelo quintal.

— Cê vai mesmo embora? — Applejack perguntou de repente, sua voz mais baixa do que o normal.

— Ainda não tenho certeza.

— Mentira. Cê tem certeza sim.

Rarity suspirou. Não adiantava mentir para Applejack. A garota tinha um detector de mentiras interno que funcionava melhor do que qualquer máquina.

— Sim — admitiu. — Vou.

Silêncio.

— Por quanto tempo?

— Seis meses. Talvez um ano.

— Um ano? — A voz de Applejack vacilou, e aquele pequeno tremor foi suficiente para quebrar algo dentro do peito de Rarity.

— É uma oportunidade única. A escola de Milão só aceita vinte estudantes por ano. Se eu for aceita...

— Cê vai ser aceita.

— Como pode ter tanta certeza?

Applejack virou-se para encará-la, e seus olhos verdes brilhavam sob a luz da lua como esmeraldas líquidas. Seu chapéu projetava sombras sobre seu rosto, mas Rarity podia ver cada detalhe: as sardas espalhadas como constelações, os lábios entreabertos, a expressão intensa que fazia seu coração disparar.

— Porque cê é a pessoa mais talentosa que eu conheço — Applejack disse simplesmente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — E se alguém merece essa oportunidade, é você.

Foi naquele momento que Rarity a beijou.

Não foi planejado. Não foi elegante. Seus dentes se chocaram levemente, e ela quase perdeu o equilíbrio em cima do fardo de feno. Mas foi perfeito de uma forma desajeitada e desesperada, um beijo que carregava todas as palavras que ela não conseguia dizer.

— Eu volto — Rarity sussurrou contra seus lábios, quando finalmente se separaram. — Eu prometo que volto.

Applejack não respondeu imediatamente. Seus dedos calejados encontraram o rosto de Rarity, traçando o contorno de sua mandíbula com uma delicadeza que contrastava com a força de suas mãos.

— Eu sei — ela disse. E então a beijou de novo

(...)

Rarity abriu os olhos. O quarto estava escuro agora, a única iluminação vindo do poste de luz do lado de fora da janela. Ela não sabia quanto tempo havia passado perdida em memórias, mas seus olhos ardiam com lágrimas não derramadas.

Ela havia prometido voltar.

Mas não havia prometido quando.

E os seis meses planejados se transformaram em um ano. O ano se transformou em dois. As ligações diárias se tornaram semanais, depois mensais, depois ocasionais. Os e-mails ficaram mais curtos. As mensagens de texto mais espaçadas. Até que um dia, sem nenhum anúncio dramático, elas simplesmente pararam de se falar.

Não foi um término propriamente dito. Rarity nunca disse "acabou". Applejack nunca disse "não te espero mais". O relacionamento delas simplesmente se dissolveu como açúcar em água, tão lentamente que ninguém percebeu até que já era tarde demais.

E agora ela estava aqui, três anos depois, sentada em uma cama de dormitório, se perguntando se ainda havia algo para salvar — ou se o que quer que tivessem construído na adolescência havia se desfeito completamente, levado pelo vento como as folhas secas que dançavam no pátio do campus.

(...)

A manhã seguinte chegou com uma crueldade particular, o sol invadindo o quarto como um hóspede indesejado que se recusava a ir embora. Rarity havia dormido mal, alternando entre períodos de inconsciência superficial e despertares súbitos, sua mente incapaz de se desligar completamente. As olheiras que encontrou no espelho do banheiro foram combatidas com uma camada extra de corretivo e a determinação férrea de quem se recusava a demonstrar fraqueza.

Seu guarda-roupa havia sido cuidadosamente selecionado para seu primeiro dia oficial de volta ao campus: uma saia lápis cinza-chumbo, uma blusa de seda lavanda com um laço no pescoço, e seus saltos favoritos — aqueles que faziam o som mais satisfatório ao clicarem contra o chão. Sua maquiagem estava impecável, seus cabelos caindo em ondas perfeitas sobre os ombros. Ela parecia a personificação da confiança e da sofisticação.

Era uma armadura, e ela sabia disso.

O campus estava vibrante com a energia dos primeiros dias do semestre. Estudantes calouros caminhavam com mapas nas mãos e expressões perdidas. Veteranos se reencontravam com abraços e exclamações. Professores passavam apressados com pilhas de papéis e canecas de café. Havia uma eletricidade no ar, uma promessa de novos começos e possibilidades infinitas.

Rarity atravessou o pátio principal com passos medidos, respondendo a acenos e cumprimentos com sorrisos educados que não alcançavam seus olhos. Algumas pessoas a reconheceram, parando para comentar sobre sua volta, perguntando sobre Milão, elogiando seu visual. Ela respondeu a todas com a graça praticada de uma socialite experiente, mas sua atenção estava em outro lugar.

Ela estava procurando um chapéu de cowboy.

Não era difícil de encontrar. Mesmo em uma universidade diversa como Canterlot, Applejack se destacava como um girassol em um jardim de rosas — não necessariamente por ser mais bela, mas por ser inconfundivelmente, irrevogavelmente ela mesma.

Mas o chapéu não estava em lugar nenhum.

Rarity verificou o pátio principal. As mesas do refeitório. Os bancos perto da fonte. O caminho que levava ao departamento de ciências agrárias. Nada. Sua frustração aumentava a cada minuto, misturada com um alívio culpado que ela se recusava a examinar muito de perto.

Foi Twilight Sparkle quem a encontrou primeiro.

— RARITY!

O grito veio de trás, acompanhado pelo som de passos apressados. Antes que pudesse reagir, Rarity foi envolvida em um abraço que quase a derrubou — e olha que ela era uma especialista em se manter equilibrada sobre saltos de doze centímetros.

— Twilight, querida, preciso respirar.

— Desculpa! Desculpa! — A garota se afastou, seus óculos ligeiramente tortos, seu rabo de cavalo meio desfeito. Ela estava carregando uma pilha de livros que parecia pesar mais do que ela própria, e seu cardigan roxo estava abotoado de forma errada — o segundo botão no terceiro buraco, um detalhe que provavelmente ninguém notaria, exceto alguém tão obcecado por ordem quanto Rarity. — É só que... você voltou! Finalmente! Eu tinha uma lista de todas as coisas que precisávamos fazer quando você voltasse, mas aí eu perdi a lista, então fiz outra lista, mas essa também...

— Twilight. — Rarity segurou seus ombros com firmeza. — Respire.

Twilight obedeceu, tomando uma inspiração profunda que pareceu acalmá-la momentaneamente. Seus olhos violetas brilhavam com uma excitação que era quase contagiante.

— Você parece... incrível — disse Twilight, e havia uma nota de admiração genuína em sua voz. — Milão te fez bem.

— Milão me ensinou muitas coisas — Rarity respondeu, um sorriso cansado se formando em seus lábios. — Inclusive como sobreviver com três horas de sono e uma dieta composta primariamente de café.

— Isso explica as olheiras.

— Twilight!

— O quê? Eu só... — A garota corou violentamente. — Desculpa, não era para soar ofensivo, eu só quis dizer que você parece cansada, mas cansada de um jeito elegante, você sabe? Aquele cansaço sofisticado que modelos têm depois de desfiles importantes...

Rarity riu, e pela primeira vez desde que pisara em solo americano, o som foi genuíno. Ela havia esquecido como Twilight podia ser desajeitada socialmente apesar de — ou talvez por causa de — sua inteligência excepcional.

— Senti sua falta, querida.

— Eu também senti sua falta. — Twilight ajustou os óculos, um hábito nervoso que traía sua ansiedade. — Quer dizer, nós mantivemos contato por e-mail e videochamada, mas não é a mesma coisa que ter você aqui pessoalmente. E tem tanta coisa que aconteceu enquanto você estava fora, Rarity. TANTA coisa. Eu fiz anotações, claro, organizei por categorias e subcategorias...

— Notou que Fluttershy mencionou isso.

— Ela mencionou? Bom, sim, claro que mencionou, eu pedi para ela mencionar. Porque eu sabia que você precisaria de uma atualização completa sobre tudo que perdeu, e quem melhor para fornecer essa atualização do que eu? Eu compilei dados, Rarity. DADOS. Tem gráficos. Três gráficos. E uma planilha de Excel.

Rarity piscou. — Você fez uma planilha... sobre a vida dos nossos amigos?

— Quatro planilhas, na verdade. Uma para cada grupo de amigos, mais uma consolidada. A Pinkie disse que era "demais", mas eu discordo. Eu acho que é a quantidade certa de informação.

— Enfim! — Twilight agarrou seu braço e começou a puxá-la em direção ao prédio de ciências da computação. — Eu preciso te mostrar a planilha principal. Mas primeiro, precisamos tomar café. Não, primeiro você precisa se inscrever nas disciplinas. Não, primeiro você precisa me contar sobre Milão. Na verdade, primeiro...

— Twilight. — Rarity interrompeu-a com uma mão levantada. — Antes de qualquer coisa, eu preciso... existe algo que eu preciso saber.

A expressão de Twilight mudou instantaneamente. A excitação maníaca deu lugar a algo mais sóbrio, mais cauteloso. Ela era a pessoa mais inteligente que Rarity conhecia — capaz de processar informações complexas em segundos, de fazer conexões que ninguém mais via, de resolver problemas que deixariam doutores coçando a cabeça. E naquele momento, sua mente brilhante estava claramente calculando o que dizer e como dizer.

— É sobre a Applejack — Twilight disse. Não era uma pergunta.

— Fluttershy contou que eu perguntei.

— Ela contou que você perguntou, e ela contou que não respondeu, e ela contou que estava preocupada com como você reagiria quando descobrisse. — Twilight fez uma pausa, seus olhos encontrando os de Rarity com uma intensidade incomum. — Eu me ofereci para ser a portadora da notícia. Porque eu sou melhor com fatos do que Fluttershy. Ela fica muito emocional, e eu entendo isso, mas às vezes emoções atrapalham a comunicação eficiente de informações importantes.

— Twilight. — O coração de Rarity estava acelerado novamente, aquele ritmo irregular que tornava difícil respirar. — Por favor.

Elas estavam paradas perto da fonte central do campus, a água jorrando em arcos prateados que capturavam a luz do sol e a transformavam em pequenos arco-íris. Estudantes passavam ao redor, alheios ao drama silencioso que se desenrolava entre duas garotas paradas na calçada. O mundo continuava girando, indiferente ao terremoto emocional que começava a sacudir as fundações cuidadosamente construídas de Rarity.

— Certo. — Twilight respirou fundo, como se estivesse se preparando para uma apresentação acadêmica particularmente desafiadora. — Fatos. Apenas fatos. Você quer os fatos.

— Sim.

— Applejack está bem. Ela está no quarto ano de veterinária. Suas notas são excelentes, especialmente em animais de grande porte. Ela continua trabalhando na fazenda nos fins de semana e feriados. Ela... hm... ela ainda usa aquele chapéu ridículo. — Uma pausa. — Eu gosto do chapéu, na verdade. É um bom chapéu. Só estou citando a opinião geral de que é ridículo. Não minha opinião.

— Twilight.

— Certo, certo, divagando. Desculpa. — Ela ajustou os óculos novamente. — Applejack está namorando.

Três palavras.

Apenas três palavras, organizadas em uma frase curta e direta.

Mas para Rarity, elas carregavam o peso de um veredito final.

O sangue pareceu drenar de seu rosto. O som da fonte se tornou distante, abafado, como se ela estivesse ouvindo de dentro d'água. O sol ainda brilhava, os pássaros ainda cantavam, os estudantes ainda riam ao longe — mas algo havia se quebrado dentro dela, algo pequeno e frágil que ela vinha protegendo há anos.

— Namorando — repetiu, e sua voz soou estranha até para seus próprios ouvidos.

— Sim. — Twilight parecia dolorosamente desconfortável. — Há... cerca de oito meses? Talvez nove? Pinkie tem a data exata. Ela comemorou o "aniversário de namoro" de alguma forma. Teve bolo.

— Com quem?

A pergunta era simples. A resposta não era

Twilight hesitou. Suas mãos apertaram os livros contra o peito como um escudo improvisado. Seus olhos desviaram por uma fração de segundo, e Rarity captou o movimento, seu instinto de designer treinado para notar cada detalhe, cada hesitação, cada verdade escondida.

— Rainbow Dash — Twilight disse finalmente.

O nome atingiu Rarity como um tapa.

Rainbow Dash.

A garota do cabelo multicolorido. A capitã do time de futebol. A atleta que vivia com roupas esportivas e uma confiança que beirava a arrogância. A mesma Rainbow Dash que costumava provocá-la no ensino médio, fazendo piadas sobre sua maquiagem impecável e seus sapatos caros. A mesma Rainbow Dash que sempre pareceu existir em uma frequência completamente diferente da sua, como se fossem transmissões de rádio que nunca se sobrepunham.

Rainbow Dash.

E Applejack.

— Oh — Rarity disse, e foi a única palavra que conseguiu produzir.

— Eu sei — Twilight concordou, embora Rarity não tivesse certeza do que exatamente ela sabia. — Quando eu descobri, também fiquei surpresa. Quer dizer, não fazia sentido lógico. Applejack e Rainbow Dash. Elas são tão... diferentes. Mas aí eu observei elas juntas e fiz anotações, muitas anotações, e comecei a entender. Elas se complementam de uma forma estranha. Applejack acalma Rainbow Dash quando ela está sendo impulsiva demais. Rainbow Dash faz Applejack rir quando ela está sendo séria demais. É uma dinâmica interessante do ponto de vista psicológico.

— Você está analisando o relacionamento delas como se fosse um experimento científico.

— É a minha forma de processar informações.

Rarity fechou os olhos. Inspirou profundamente pelo nariz, expirou pela boca, repetiu o processo três vezes como sua terapeuta em Milão havia ensinado. Quando abriu os olhos novamente, sua expressão estava cuidadosamente neutra — a máscara de porcelana que ela havia aperfeiçoado durante anos de negociações e eventos sociais.

— Obrigada por me contar, Twilight.

— Você está... você está bem?

— Estou perfeitamente bem. — A mentira deslizou de seus lábios com a facilidade de um vestido de seda escorregando pelos ombros. — Eu e Applejack não temos nada há anos. Ela tem todo o direito de seguir em frente. Fico feliz por ela.

Twilight não pareceu convencida. Seus olhos violetas estudaram o rosto de Rarity com uma intensidade que era quase desconfortável, sua mente analítica processando microexpressões e entonações vocais que a maioria das pessoas ignoraria.

— Rarity...

— Eu disse que estou bem. — O tom era mais cortante do que ela pretendia, e ela imediatamente se arrependeu. — Desculpe. Não quis ser rude. Só é... muita informação para processar.

— Compreensível. — Twilight assentiu, e havia uma gentileza em sua expressão que contrastava com sua abordagem normalmente clínica. — Se você quiser ver as planilhas...

— Talvez mais tarde, querida.

— Claro. Quando você estiver pronta. — Ela apertou o braço de Rarity em um gesto de apoio desajeitado, mas genuíno. — Sabe, eu também senti sua falta.

E então Twilight se foi, caminhando em direção ao seu prédio com aquela pressa característica de quem sempre tinha algo importante a fazer, seus livros balançando perigosamente em seus braços. Rarity ficou parada perto da fonte, observando-a desaparecer entre as portas de vidro, sentindo-se mais sozinha do que jamais se sentira em Milão.

Então era isso.

Applejack tinha seguido em frente.

Ela deveria estar feliz. Deveria sentir alívio. Deveria ver isso como um sinal de que o universo estava lhe dando permissão para fechar aquele capítulo de sua vida e começar outro completamente novo.

Em vez disso, sentia como se alguém tivesse enfiado uma agulha de costura diretamente em seu coração.

(...)

Os dias seguintes foram uma sucessão de burocracias acadêmicas e reencontros cuidadosamente coreografados. Rarity se inscreveu nas disciplinas finais de seu curso, visitou o departamento de moda, reencontrou antigos professores que a receberam com entusiasmo e elogios ao seu portfólio. Ela sorriu nos momentos certos, fez os comentários apropriados, distribuiu gentilezas como quem distribui amostras grátis em uma loja de departamentos.

Mas seus olhos continuavam procurando.

O campus era uma máquina de fofocas extremamente eficiente, e não demorou muito para que Rarity começasse a juntar fragmentos de informação que montavam um quadro cada vez mais doloroso. As pessoas falavam de Applejack e Rainbow Dash como uma unidade — "AJ e Dash", "Dash e AJ", "as duas". Elas eram mencionadas em conversas casuais, seus nomes entrelaçados com naturalidade. Elas frequentavam juntos as festas. Elas treinavam juntas nas quadras. Elas almoçavam juntas no refeitório, comendo torta de maçã e discutindo os eventos do dia.

Elas eram um casal.

Um casal real, consolidado, público.

E cada menção casual era uma pequena facada que Rarity precisava aprender a absorver sem demonstrar dor.

— Você está parecendo aquelas plantas da Fluttershy quando ela esquece de regar — comentou Pinkie Pie na quinta-feira à tarde, aparecendo ao lado de Rarity na biblioteca com a súbita de um foguete explodindo. Sua presença era impossível de ignorar: cabelos rosa vibrante, uma blusa de bolinhas que misturava pelo menos seis cores diferentes, e um sorriso que ocupava metade do rosto.

— Obrigada pelo voto de confiança, Pinkie.

— Não foi um voto de confiança, foi uma observação. Tem diferença. — Ela se jogou na cadeira ao lado de Rarity, ignorando completamente os olhares reprovadores de outros estudantes que tentavam estudar. — Você está murcha. Tipo uma flor que tomou muito sol e pouca água. Ou tipo um balão que perdeu um pouco do ar, mas não furou completamente, sabe? Ainda tem formato de balão, mas está começando a enrugar nas bordas.

— Uma imagem adorável.

— Obrigada! — Pinkie apoiou o queixo nas mãos. — É por causa da Applejack, né?

Rarity congelou. Seus dedos apertaram o livro que estava fingindo ler — "História da Alta Costura: De Worth a Dior" — até suas juntas ficarem brancas.

— Não sei do que você está falando.

— Claro que sabe! Todo mundo sabe. Quer dizer, não TODO MUNDO, porque Twilight pediu para a gente não comentar, mas a Fluttershy comentou comigo, e aí eu comentei com a Lyra Heartstrings sem querer, mas depois pedi para ela não comentar com ninguém, e ela prometeu, mas acho que a Vinyl Scratch ouviu e...

— Pinkie. — Rarity ergueu uma mão. — Por favor, pare.

Pinkie parou. Seu sorriso diminuiu alguns watts, e seus olhos azuis assumiram uma expressão que era quase... séria. Era uma visão perturbadora, como ver um filhote de golden retriever lendo Nietzsche.

— Eu sei que deve ser difícil — ela disse, e sua voz perdeu o tom maníaco, tornando-se algo mais suave e gentil. — Voltar depois de tanto tempo e descobrir que as coisas mudaram. Mas não significa que você perdeu a Applejack para sempre. Só significa que a amizade de vocês vai ser diferente agora.

— Não é tão simples.

— Por que não? — Pinkie inclinou a cabeça, genuinamente confusa. — Você ainda gosta dela. Ela ainda gosta de você. Talvez vocês só precisem conversar.

— Ela está namorando, Pinkie.

— E daí? Pessoas que namoram também podem ter amigas. — Uma pausa. — A não ser que você não queira ser só amiga dela. — Outra pausa. — OH. Ohhhh. Entendi agora. Entendi TUDO. É por isso que você está murcha!

— Pinkie, por favor, abaixe a voz...

— Desculpa, desculpa. — Ela fez um gesto de zíper nos lábios, embora seus olhos continuassem brilhando com a excitação de quem acabara de resolver um quebra-cabeça particularmente desafiador. — Mas olha, mesmo assim. Você ainda deve conversar com ela. Guardar sentimentos é tipo prender a respiração. Uma hora você precisa soltar o ar, senão explode. E ninguém quer ver você explodindo, Rarity. Ia ser muito feio. E provavelmente ia sujar sua roupa.

Apesar de tudo — apesar da dor latejante em seu peito, apesar do nó permanente em seu estômago, apesar das noites insones e das olheiras que nem o melhor corretivo conseguia disfarçar — Rarity sorriu. Porque era impossível não sorrir com Pinkie Pie, mesmo quando ela estava tocando em feridas que você preferia manter escondidas.

— Vou pensar sobre isso — disse, e era a primeira verdade que pronunciava em dias.

— Bom! — Pinkie saltou da cadeira com energia renovada. — Ah, e já ia esquecendo: festa sábado à noite. Minha casa. Vai ter bolo, música e talvez karaokê se eu conseguir convencer a Vinyl a emprestar o equipamento de som, mas acho quelw vai tocar como DJ Pon-3. Você vem, né?

— Eu...

— ÓTIMO! Te vejo lá!

Ela desapareceu tão rapidamente quanto tinha surgido, deixando para trás apenas o eco de sua energia e um bilhete colorido que magicamente apareceu na mesa de Rarity sem que ninguém visse quando ou como foi colocado ali.

A festa.

Seria impossível evitar Applejack em uma festa.

Especialmente uma festa organizada por Pinkie Pie.

(...)

Sábado chegou com uma chuva fina que deixava o campus com um aspecto melancólico, as folhas caídas grudando nas calçadas molhadas como confetes abandonados depois de uma celebração. Rarity passou duas horas se arrumando, trocando de roupa cinco vezes antes de se decidir por um vestido azul meia-noite que favorecia seus olhos, e um salto da Yvs Saint Laurent modelo Opyum da temporada de Primavera/Verão 2017 que lhe dava um ar de confiança que ela definitivamente não sentia.

A casa de Pinkie ficava a quinze minutos a pé do campus — uma caminhada que Rarity fez sob um guarda-chuva preto, seus saltos desviando das poças com precisão de bailarina. A música já podia ser ouvida de longe, um batida contagiante que fazia as janelas tremerem e os vizinhos suspirarem com resignação.

— VOCÊ VEIO!

Pinkie estava na porta, naturalmente, usando um vestido que parecia ter sido confeccionado com papel de presente e purpurina. Ela abraçou Rarity com entusiasmo suficiente para fazê-la cambalear nos saltos.

— Eu disse que vinha.

— Você disse "eu...", não "sim"! Teve reticências! Reticências são traiçoeiras, Rarity. Elas significam hesitação. Significam dúvida. Significam "talvez eu venha ou talvez eu fique em casa assistindo séries de moda e comendo sorvete direto do pote". Mas você veio! Isso é o que importa!

O interior da casa era um caos controlado — ou talvez um controle caótico, nunca dava para saber com Pinkie. Luzes coloridas piscavam em um ritmo que não acompanhava exatamente a música. Balões estavam estrategicamente posicionados em arcos improvisados. Uma mesa de comes e bebes oferecia uma seleção eclética que ia de cupcakes a guacamole, com várias coisas no meio que Rarity não conseguia identificar.

E havia pessoas.

Muitas pessoas.

Rarity circulou pela festa com a elegância de um cisne navegando em águas turbulentas. Ela cumprimentou conhecidos, aceitou um copo de ponche que não bebeu, e manteve seus olhos em movimento constante, varrendo o ambiente como um farol em noite de tempestade.

Foi quando ela viu.

No canto da sala, perto da janela onde a chuva escorria em padrões abstratos, Applejack estava encostada na parede com a naturalidade de quem não precisava provar nada para ninguém.

O coração de Rarity parou. Depois disparou. Depois parou de novo.

Ela estava... diferente.

Não completamente diferente — ainda era inconfundivelmente Applejack, com seu chapéu de cowboy e suas botas gastas e seu porte que parecia ocupar mais espaço do que seu corpo físico. Mas havia algo novo ali. Uma segurança que não existia antes. Uma calma que suavizava as arestas de sua personalidade teimosa. Seus cabelos loiros estavam mais longos, caindo em ondas douradas sobre os ombros. Seus olhos verdes pareciam mais profundos, mais intensos, como se tivessem aprendido a ver coisas que antes não viam.

Não completamente diferente — ainda era inconfundivelmente Applejack, com seu chapéu de cowboy e suas botas gastas e seu porte que parecia ocupar mais espaço do que seu corpo físico. Mas havia algo novo ali. Uma segurança que não existia antes. Uma calma que suavizava as arestas de sua personalidade teimosa. Seus cabelos loiros estavam mais longos, caindo em ondas douradas sobre os ombros. Seus olhos verdes pareciam mais profundos, mais intensos, como se tivessem aprendido a ver coisas que antes não viam.

Rarity sabia que deveria se aproximar. Deveria dizer algo. Qualquer coisa. Ela havia ensaiado este momento mentalmente dezenas de vezes, preparando frases que variavam do casual ao dramático, do distante ao afetuoso.

Mas antes que pudesse dar um passo, outra pessoa chegou primeiro.

Rainbow Dash surgiu do nada, um borrão multicolorido que se materializou ao lado de Applejack como se pertencesse àquele espaço. Ela estava usando uma jaqueta esportiva azul e um cropped preto que revelava um abdômen definido por horas de treino. Seu cabelo — aquele cabelo impossível que parecia pintado por um artista abstrato — estava preso em um rabo de cavalo alto, e os piercings em suas orelhas brilhavam sob as luzes coloridas da festa.

O que aconteceu em seguida foi tão rápido que Rarity quase perdeu.

Rainbow Dash disse algo. Provavelmente algo bobo, porque Applejack revirou os olhos, mas seus lábios se curvaram em um sorriso. Aquele sorriso específico que costumava ser direcionado a Rarity, nos dias distantes do celeiro e dos campos de macieiras. Rainbow Dash tocou o braço de Applejack com uma familiaridade que falava de incontáveis momentos compartilhados. Applejack não se afastou. Pelo contrário, inclinou-se ligeiramente na direção do toque.

A agulha no coração de Rarity girou.

E então, como se sentisse que estava sendo observada — e provavelmente estava, porque Rarity não conseguia desviar o olhar — Applejack levantou a cabeça.

E o mundo parou.

A música continuou tocando. As pessoas continuaram dançando e conversando. A chuva continuou caindo do lado de fora. Mas naquele pequeno universo que existia entre as duas, o tempo simplesmente deixou de existir. Três anos, quatro meses e vinte e dois dias se comprimiram em um único segundo de silêncio carregado de significado

A expressão de Applejack passou por várias emoções em rápida sucessão. Surpresa. Confusão. Algo que poderia ser saudade. Algo que definitivamente era dor. E então uma máscara de neutralidade que era tão diferente de sua honestidade natural que doía de ver.

Rainbow Dash percebeu a mudança. Seus olhos magenta seguiram a direção do olhar de Applejack e encontraram Rarity. Sua expressão também mudou — mas de uma forma diferente. Sua mandíbula se contraiu. Seus ombros se endireitaram. E seu braço escorregou para a cintura de Applejack em um gesto que era parte proteção, parte possessividade.

Uma declaração silenciosa.

Ela está comigo agora.

Rarity desviou o olhar primeiro. Ela não tinha forças para sustentar aquele contato visual, não quando seu coração estava se despedaçando em fragmentos minúsculos que nenhuma agulha ou linha poderia costurar de volta.

Ela virou-se e caminhou em direção à porta, seus saltos clicando contra o chão com um ritmo apressado que contrastava com sua elegância habitual. Ela precisava de ar. Precisava de espaço. Precisava estar em qualquer lugar que não fosse aquela sala, aquela festa, aquele momento.

A chuva a recebeu do lado de fora, fria e implacável. Ela não abriu o guarda-chuva. Deixou que as gotas molhassem seus cabelos cuidadosamente arrumados, que escorressem por seu rosto como lágrimas substitutas, que manchassem seu vestido azul meia-noite com manchas escuras que pareciam hematomas.

— Rarity!

A voz veio de trás. Ela conhecia aquela voz. Conhecia melhor do que qualquer outra voz no mundo.

Ela não se virou.

Passos apressados esmagaram folhas molhadas. O som de botas contra o chão molhado. E então uma mão tocou seu ombro — uma mão calejada, forte, familiar.

— Rarity, espera.

Ela fechou os olhos. A chuva continuava caindo. O mundo continuava girando. E atrás dela, Applejack estava ali, real e sólida e tão próxima que Rarity podia sentir o calor de seu corpo irradiando através do ar frio da noite.

— Oi, AJ — ela disse, e sua voz saiu mais frágil do que gostaria.

Um segundo de silêncio.

E então:

— Oi, Rarity. Cê voltou.

A simplicidade da frase era quase insuportável. Nenhuma acusação. Nenhuma cobrança. Apenas a constatação de um fato.

— Eu voltei — Rarity confirmou, e finalmente criou coragem para se virar.

Lá estava ela. Debaixo da chuva, sem guarda-chuva ou capa, seu chapéu de cowboy ficando progressivamente mais encharcado. Seus olhos verdes estavam fixos em Rarity com uma intensidade que fazia o ar faltar em seus pulmões. Seu rosto estava molhado — pela chuva, apenas pela chuva — e suas sardas se destacavam contra a pele bronzeada queimada de sol.

Elas ficaram ali, paradas na chuva, a poucos centímetros de distância uma da outra. Perto o suficiente para se tocarem. Longe o suficiente para que três anos de silêncio se estendessem entre elas como um abismo.

— Precisamos conversar — Applejack disse finalmente.

Rarity assentiu, incapaz de falar.

Porque naquele momento, com a chuva caindo e a música da festa ecoando ao longe e seus corações batendo em ritmos desencontrados, elas sabiam que nada mais seria como antes.

O tempo não havia parado.

Mas talvez — apenas talvez — ainda houvesse algo que pudesse ser salvo.

(...)

Elas caminharam em silêncio por ruas molhadas e calçadas cobertas de folhas, duas figuras encharcadas navegando uma cidade adormecida. Rarity não perguntou para onde estavam indo. Ela simplesmente seguiu Applejack, confiando em sua direção como confiava há anos atrás, quando não precisava de palavras para entender o que a outra estava pensando.

Terminaram em um café pequeno, daqueles que ficam abertos até tarde e atraem estudantes com seus preços baixos e sua iluminação amarelada. O lugar estava praticamente vazio àquela hora, exceto por um barista entediado atrás do balcão e um casal de namorados no canto, perdidos em seu próprio mundo.

Applejack pediu café preto. Rarity pediu chá de camomila — ela não precisava de mais cafeína em seu sistema, não quando seus nervos já estavam tão à flor da pele. Sentaram-se em uma mesa perto da janela, onde a chuva desenhava padrões irregulares no vidro.

O silêncio se estendeu entre elas.

Não era um silêncio confortável. Era o silêncio de duas pessoas que já foram próximas e não sabiam mais como começar uma conversa.

— Rainbow Dash — Rarity disse finalmente, e o nome saiu mais afiado do que pretendia.

Applejack não se encolheu. Ela simplesmente assentiu.

— Sim.

— Há quanto tempo?

— Nove meses. — Uma pausa. — Quase dez.

— Vocês... — Rarity hesitou, odiando a pergunta que estava prestes a fazer, mas incapaz de contê-la. — Vocês estão felizes?

Os olhos verdes de Applejack encontraram os seus através da mesa. Havia algo naquela expressão que Rarity não conseguia decifrar completamente — um misto de honestidade e desconforto, de certeza e dúvida.

— A gente tá construindo algo — ela disse, escolhendo as palavras com cuidado. — É diferente do que eu tive antes. Mas é bom. Rainbow... ela me desafia. Me tira da zona de conforto. E ela tá do meu lado quando eu preciso.

Diferente do que eu tive antes.

A frase ecoou na mente de Rarity como um sino. Então ela ainda era "o antes". Ainda era parte da conversa, mesmo que indiretamente. Ainda ocupava um espaço na memória de Applejack.

— Eu não esperava que você me esperasse — Rarity disse, e as palavras saíram apressadas, como se estivesse tentando se livrar delas. — Eu não pedi isso. Eu só... eu achei que teria mais tempo, eu sou uma idiota.

— Para voltar. Para... para consertar as coisas. Para ser a pessoa que você merecia.

Applejack recostou-se na cadeira, sua expressão ilegível. Os dedos calejados giraram a caneca de café em movimentos lentos, um hábito nervoso que Rarity reconhecia de anos atrás.

— Cê foi atrás dos seus sonhos, Rarity. Isso não foi errado. Nunca foi.

— Eu sei.

— E eu nunca culpei ocê por ter ido.

— Mas a vida continuou. — A voz de Applejack estava firme, mas havia uma gentileza ali que tornava tudo ainda mais doloroso. — Eu não podia ficar parada esperando. Eu não... eu precisava viver também.

— Eu entendo. — E era verdade. Ela entendia. Entendia perfeitamente. Ou pelo menos tentava se convencer de que sim. — Eu só queria...

Ela parou.

Não sabia como terminar a frase.

Eu só queria que ainda houvesse espaço para mim.

Mas o espaço estava ocupado agora, e a pessoa que o ocupava não era uma vilã — era apenas alguém que havia chegado no momento certo, quando Applejack estava pronta para amar novamente.

Eu só queria que o que tivemos não tivesse acabado.

Mas havia acabado. Talvez tivesse acabado no momento em que ela embarcou naquele avião para Milão, sua passagem só de ida no bolso da jaqueta Chanel, seus olhos cheios de lágrimas que ela se recusava a deixar cair. Talvez tivesse acabado nas noites em que ela estava desenhando vestidos em um apartamento frio enquanto Applejack estava deitada em um campo aberto olhando as estrelas, a milhares de quilômetros de distância. Talvez tivesse acabado nas ligações que se tornaram mais curtas, nas mensagens que se tornaram mais espaçadas, no silêncio que se instalou entre elas como um hóspede indesejado que nunca mais foi embora.

Ou talvez nunca tivesse acabado para Rarity.

Talvez ela tivesse passado todos aqueles anos mantendo uma chama acesa em seu peito, alimentando-a com memórias e esperanças, convencendo-se de que quando voltasse tudo seria como antes. E talvez — a realização mais dolorosa de todas — talvez ela tivesse sido a única a manter aquela chama acesa.

Applejack pareceu perceber sua dificuldade, sua luta interna, as palavras que se formavam e morriam em sua garganta sem nunca alcançar seus lábios. Ela sempre fora boa nisso — em ler Rarity, em perceber as emoções que a garota escondia atrás de camadas de maquiagem e elegância. Era uma das coisas que Rarity mais amava nela. E uma das coisas que mais a apavorava.

Lentamente, como se estivesse se aproximando de um animal ferido, Applejack estendeu a mão sobre a mesa.

Seus dedos calejados — dedos que haviam segurado rédeas de cavalos, consertado cercas quebradas, acariciado o rosto de Rarity em noites estreladas — tocaram a mão de Rarity com uma delicadeza que contrastava dramaticamente com a força que ela sabia que aquelas mãos possuíam. O toque foi leve como uma pluma, quente como o sol de verão, familiar como uma canção de ninar esquecida.

Rarity sentiu sua respiração vacilar.

Aquele toque. Aquele maldito toque que ela havia sonhado por três anos, quatro meses e vinte e dois dias. Aquele contato elétrico que fazia sua pele formigar e seu coração acelerar. Estava ali, real e presente, mas carregava um significado completamente diferente do que ela havia imaginado.

Não era um toque de reencontro.

Era um toque de despedida.

— O que a gente teve foi real — Applejack disse, e sua voz era um sussurro rouco, íntimo, como se as palavras fossem um segredo que ela guardava há muito tempo e finalmente decidira revelar. — Foi importante. Foi meu primeiro amor, e eu nunca vou esquecer isso. Cê foi... cê foi uma das melhores coisas que já me aconteceram, Rarity.

Primeiro amor.

Tempo passado.

Algo que foi.

Algo que já não é mais.

Rarity sentiu seus olhos arderem com a ameaça de lágrimas, mas ela se recusou a chorar. Ela havia passado anos aperfeiçoando o controle sobre suas emoções, aprendendo a manter uma fachada impecável mesmo quando tudo desmoronava ao seu redor. Ela não ia desmoronar agora. Não na frente de Applejack. Não neste café barato com um barista bisbilhoteiro e um casal de namorados que provavelmente estavam vivendo seu próprio "felizes para sempre" enquanto o dela se desfazia em cacos.

Ela piscou rapidamente, forçando as lágrimas a recuarem.

Sua coluna se endireitou.

Seu queixo se ergueu.

A máscara de porcelana voltou ao lugar com um clique quase audível.

— Agora você tem a Rainbow — ela conseguiu dizer, e sua voz estava quase normal. Quase controlada. Quase convincente. Apenas um tremor microscópico na última sílaba traía a devastação que assolava seu interior.

— Agora eu tenho a Rainbow — Applejack confirmou, e havia tanta certeza naquelas palavras que Rarity sentiu algo se quebrar definitivamente dentro de si. — E eu... eu quero ver onde isso vai dar. Ela merece isso. Ela merece alguém que esteja cem por cento presente. Alguém que não fique olhando pra trás. Alguém que...

Ela não completou a frase.

Não precisava.

Alguém que eu não fui capaz de ser para você.

As palavras não ditas pairaram entre elas como um espectro, mais reais e mais dolorosas do que qualquer coisa que pudesse ser verbalizada.

O silêncio caiu novamente sobre a mesa, mas desta vez era diferente do silêncio tenso de antes. Este era um silêncio de aceitação — ou pelo menos do começo da aceitação. O silêncio de duas pessoas que finalmente estavam começando a entender seus lugares na vida uma da outra. O silêncio de um capítulo que se encerrava, não com um ponto final dramático, mas com reticências suaves que se perderiam no tempo.

Rarity olhou para a mão de Applejack sobre a sua. Aqueles dedos calejados. Aquelas veias azuis sob a pele bronzeada. Aquela cicatriz no polegar — um acidente com arame farpado, ela se lembrava, aos quinze anos, e Rarity havia feito um escândalo porque o sangue estava manchando sua blusa nova enquanto ajudava a fazer um curativo improvisado. Tantas memórias. Tantas histórias compartilhadas. Tantas coisas que agora pertenciam apenas ao passado.

— Ainda podemos ser amigas? — Applejack perguntou, e havia uma esperança genuína em sua voz. Uma esperança que era quase inocente, quase ingênua, como se ela realmente acreditasse que as pessoas podiam simplesmente reorganizar seus sentimentos em categorias convenientes e seguir em frente.

Rarity retirou sua mão debaixo do toque de Applejack.

O movimento foi lento. Deliberado. Definitivo.

Ela viu a confusão surgir nos olhos verdes. Viu a compreensão começar a se formar lentamente, como uma tempestade se acumulando no horizonte. Viu a dor — sim, também havia dor ali, uma dor diferente da sua, mas igualmente real — se inscrever nas linhas do rosto de Applejack.

Rarity se levantou.

Seus saltos YSL clicaram contra os ladrilhos hidráulicos enquanto ela se posicionava ao lado da mesa, olhando para Applejack de cima. A chuva ainda escorria por seus cabelos violetas, por seu rosto perfeitamente maquiado, por seu vestido azul meia-noite que agora estava manchado e arruinado. Ela sabia que provavelmente estava com uma aparência horrível — o rímel borrado, os lábios trêmulos, a postura menos impecável do que gostaria. Mas naquele momento, ela não se importava.

— Não — ela disse, e a palavra cortou o ar como uma lâmina de tesoura bem afiada. — Acho que não.

Applejack piscou. Sua expressão era de surpresa genuína, como se a possibilidade de amizade ser negada não tivesse passado por sua cabeça. — O quê?

— Não podemos ser amigas, Applejack. — O nome completo saiu de seus lábios com um peso deliberado. Ela raramente usava o nome completo. Sempre fora "AJ" ou "querida" ou "meu bem" ou qualquer um dos inúmeros apelidos carinhosos que haviam acumulado durante anos de intimidade. Usar o nome completo agora era uma declaração de guerra. Ou de rendição. Talvez as duas coisas. — Claramente uma de nós aqui não superou.

As palavras pairaram no ar, afiadas e venenosas.

Applejack abriu a boca para responder, mas Rarity não lhe deu oportunidade.

— Você seguiu em frente — ela continuou, e sua voz foi subindo gradualmente, perdendo o controle meticuloso que ela havia mantido até então. Cada palavra era uma acusação. Cada sílaba era uma faca que ela enfiava no próprio peito. — Você encontrou alguém. Você construiu algo novo. Você foi capaz de me esquecer e se apaixonar novamente. E eu... eu passei três anos, Applejack. Três anos.

Sua voz quebrou na última palavra, e ela odiou a si mesma por isso.

— Três anos — repetiu, mais baixo agora, mais frágil. — Três anos acordando todas as manhãs e desejando que você estivesse ao meu lado. Três anos desenhando vestidos inspirados na cor dos seus olhos, imaginando o dia em que eu finalmente poderia mostrá-los a você. Três anos recusando convites para jantar, recusando encontros, recusando qualquer possibilidade de romance porque no fundo da minha alma eu ainda acreditava que nós...

Ela parou.

Sua garganta se fechou completamente.

O barista havia parado de fingir que limpava a máquina de expresso. O casal de namorados havia interrompido sua conversa. Até a chuva lá fora parecia ter diminuído seu ímpeto, como se o próprio universo estivesse prendendo a respiração para ouvir o que viria a seguir.

— Você era o meu motivo para voltar — Rarity sussurrou, e as lágrimas que ela vinha segurando há tanto tempo finalmente começaram a escorrer, traçando linhas prateadas através de sua maquiagem impecável. — Você era... você era a razão pela qual eu trabalhava dezoito horas por dia. Você era o pensamento que me fazia sorrir nas noites frias de inverno, quando o aquecedor quebrava e eu precisava dormir com três cobertores. Você era a voz na minha cabeça que dizia "continua, continua, falta pouco, você vai voltar para casa, você vai voltar para ela". E eu voltei. Eu finalmente voltei. Para descobrir que...

Ela gesticulou vagamente, um movimento desesperado que abrangia o café, a chuva, a vida, o universo.

— Para descobrir que você não me esperou.

Applejack estava pálida. Seu rosto bronzeado havia perdido a cor, e seus olhos verdes brilhavam com algo que poderia ser culpa ou tristeza ou simplesmente a realização tardia do que sua felicidade atual havia custado. Ela tentou se levantar, suas botas raspando no chão.

— Rarity, eu...

— Não. — Rarity ergueu uma mão, impedindo-a. — Não se atreva a pedir desculpas. Não se atreva a dizer que sente muito. Porque eu não quero suas desculpas, Applejack. Eu não quero sua pena. Eu queria seu amor, e esse... esse não está mais disponível, não é?

O silêncio que se seguiu foi a resposta mais alta que Applejack poderia dar.

Rarity assentiu lentamente, mais para si mesma do que para a outra garota.

— Pois bem — ela disse, e sua voz voltou a um tom controlado, embora as lágrimas continuassem a escorrer. — Não fazemos amizade com ex-namoradas. É uma regra básica. Especialmente quando uma das partes claramente não superou.

— Rarity...

— Adeus, Applejack.

Você chegou ao último capítulo

Por enquanto é só. Os próximos capítulos aparecem na página da obra assim que forem publicados.

Comentários21

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S
S
SrtaMedeiroshá 18 horas

salvo? humm plano de furar olho da amiga.

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S
SrtaMedeiroshá 18 horas

sai do fake perola do Steven universe kkkskskdks

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SrtaMedeiroshá 18 horas

rarity mulher, vai brigar pela tua mulher

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SrtaMedeiroshá 18 horas

*"Não sei se você está bem Se está gostando de outro alguém O corte do cabelo tá do mesmo jeito Aparentemente tudo igual Vi uma foto sua com aquela roupa Mas parecia que faltava alguma coisa Nos traços do sorriso deu pra perceber O que será que tá faltando em você? O que falta em você sou eu Seu sorriso precisa do meu Sei que tá morrendo de saudade Vem buscar logo a sua metade"*

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SrtaMedeiroshá 18 horas

NÃO ME DESCE ESSE CASALLLLL

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SrtaMedeiroshá 18 horas

kkkkkkkkkkask minha top 2

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SrtaMedeiroshá 18 horas

você está tão triste vc vai querer um bolo ou um brigadeiro?? kkkkk eu querendo resolver problema dos outros assim kkkkk enfim vermes emocionais kkkk

S
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SrtaMedeiroshá 18 horas

afinal a amizade é magica, mesmo com rebuceteio kkkkkk

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SrtaMedeiroshá 19 horas

ja era meu povo a pinkie não cala a boca kkkkskks

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SrtaMedeiroshá 19 horas

as duas tops viviam competindo espaço kkkkksk

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SrtaMedeiroshá 19 horas

Uiii, mas não combina kkkkkkkksk

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SrtaMedeiroshá 19 horas

peteco, peteco. um tiro doiria menos 😮‍💨

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SrtaMedeiroshá 19 horas

consigo escutar a dubladora da Twilight

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SrtaMedeiroshá 19 horas

Twilightttttttt minha nerd favorita

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SrtaMedeiroshá 19 horas

vacilo da parte da rarity

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SrtaMedeiroshá 19 horas

mulher de cabelos coloridos sempre fazendo promessas 🤧🤧🤧