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Destino Escarlate

Capítulo 10: Lembrança.

Destino Escarlate

Capítulo 10: Lembrança.

Capítulo 12 · 4 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto

Kael... A reação de Cassian tinha sido magnífica.

E sinceramente, eu ainda me lembrava dela com clareza.

A forma como parecia incapaz de decidir se queria me insultar, me estrangular ou fugir do salão.

Provavelmente os três. A lembrança quase me fez sorrir novamente.

Quase, porque eu ainda possuía alguma dignidade.

Pouca, mas alguma.

Sentado sozinho em meus aposentos, apoiei o cotovelo sobre o braço da poltrona e levei a mão aos lábios pensativo.

Se o imperador e a imperateiz não tivessem intervindo, Cassian teria causado um escândalo ainda maior.

Disso eu não tinha dúvidas.

Na verdade, parte de mim lamentava que o tivessem interrompido, eu estava curioso para descobrir até onde ele iria.

Mas, infelizmente, seus pais haviam conseguido arrastá-lo para longe antes que a situação se tornasse completamente irreversível.

Ainda assim, eu não me arrependia de nada, porque o resultado tinha sido exatamente o esperado.

Talvez até melhor.

E eu precisava deixar claro que não estava brincando, e que minha escolha era definitiva.

Por isso disse aquelas palavras. Cassian ou ninguém. Eram simples e completamente verdadeiras.

Porque, naquele momento, nenhuma outra pessoa naquele reino era capaz de prender minha atenção.

Apenas Cassian. O pensamento me divertiu.

Imaginei-o em Valdrik, atravessando os corredores do meu palácio.

Imaginei os olhares horrorizados dos meus nobres, as discussões e provocações.

Os escândalos inevitáveis, e Cassian sendo obrigado a lidar com uma corte muito menos tolerante que a de Aster.

A imagem foi tão vívida que um sorriso surgiu em meus lábios sem que eu percebesse.

Ultimamente isso acontecia com frequência, e quase sempre, envolvia Cassian.

Era preocupante. Provavelmente.

Mas não o suficiente para me fazer parar. Porém, meu sorriso desapareceu lentamente, porque outra lembrança surgiu.

Mais específica e estranha.

Meu olhar desceu para minha própria mão, a mesma mão que havia segurado a dele, a mesma mão que havia levado seus dedos até meus lábios durante o pedido formal.

Três dias, já tinham se passado três dias. E, ainda assim, eu me lembrava. Não da pele, ou do toque, mas do aroma.

Era algo extremamente suave, tão suave que a maioria das pessoas provavelmente sequer notaria.

Mas eu notei, uma fragrância delicada.

Quase imperceptível, mas por algum motivo, ela havia ficado gravada em minha memória.

Ergui a mão até o rosto, como se ainda pudesse senti-la.

Claro que não podia, já fazia três dias.

Mas aínda sim o fazia, numa tentativa falha de talvez sentir o mesmo aroma novamente.

Aquilo era ridículo, eu sabia.

Mesmo assim, continuei alguns segundos encarando a minha própria mão antes de soltá-la novamente.

Precisava parar de pensar naquilo, ou pelo menos tentar.

—-

Após o incidente da festa, o imperador praticamente implorou para que eu prolongasse minha estadia.

Uma semana , apenas mais uma semana.

Tempo suficiente para que Cassian refletisse, o suficiente para que a situação se acalmasse, e evitar um desastre diplomático.

Eu aceitei, naturalmente. Embora tenha deixado minhas condições bastante claras.

Uma semana, e, ao final dela, eu partiria. Com ou sem resposta.

Também pedi que Cassian refletisse sobre minha proposta.

O que, olhando agora, parecia uma ironia. Porque refletir claramente não era o que ele estava fazendo.

Esconder-se, talvez. Refletir, não.

Desde aquela noite, Cassian simplesmente desapareceu completamente, nem mesmo nos almoços familiares ele aparecia mais.

O que dizia muito.

Porque, segundo todos os relatos, aquela era uma das poucas tradições que a família imperial levava realmente a sério.

Mesmo assim, ele continuava ausente, trancado em seus aposentos.

Recusando visitas, conversas, ou qualquer contato.

Até mesmo seus irmãos pareciam incapazes de fazê-lo sair.

Era quase impressionante, se não estivesse começando a me irritar.

Porque eu queria saber o que ele estava pensando, queria saber o que estava acontecendo dentro daquela cabeça. E, principalmente, queria saber qual seria sua decisão.

—-

Enquanto isso, o restante do império lentamente mergulhava no caos.

Não um caos visível, mas um caos político. Porque minha proposta havia deixado de ser apenas uma proposta.

Acabou se tornarando uma crise diplomática, porque uma aliança entre Valdrik e Aster teria um valor imenso.

Mesmo aqueles tolos conseguiam entender isso.

Valdrik estava crescendo rapidamente e continuaria crescendo.

Eu tinha plena confiança disso.

Quando assumisse o trono, pretendia expandir ainda mais nossas fronteiras comerciais.

Fortalecer nossas forças armadas econsolidar nossa influência.

Transformando Valdrik em algo muito maior e poderoso.

Por isso estavam desesperados. Por isso o imperador estava desesperado.

Porque aquela aliança estava ao alcance de suas mãos, mas agora podia desaparecer por causa de uma única pessoa.

Cruel. Talvez.

Eu sabia que tinha jogado sujo, mas nunca tive problemas com isso.

Porque, na minha experiência, os resultados sempre foram mais importantes que os métodos.

E, naquele caso, eu estava disposto a aceitar as consequências, mesmo que isso significasse criar uma crise diplomática, e pressionar a família real toda.

Mesmo que isso significasse irritar Cassian ainda mais.

Afinal, a parte mais interessante ainda estava por vir.

Cruzei os braços, recostando-me na poltrona. Pensativo.

Três dias haviam passado, restavam apenas quatro.

Quatro dias para descobrir qual seria sua resposta.

Para descobrir se ele me odiava mais do que eu imaginava, ou se ainda existia alguma chance de ele mudar de ideia.

Fechei os olhos por um instante. E, contra minha vontade, imaginei novamente aqueles olhos indignados.

Aquela expressão furiosa, a resistência obstinada.

Então sorri.

Porque, independentemente do resultado, eu já tinha certeza de uma coisa.

Cassian jamais me daria uma resposta simples.

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