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Destino Escarlate

Capítulo 9: Louco

Destino Escarlate

Capítulo 9: Louco

Capítulo 11 · 5 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto

Cassian... Eu estava em choque.

Não aquele tipo de choque elegante dos romances, nem aquele em que a pessoa fica parada parecendo bonita.

Não.

Meu cérebro simplesmente tinha parado de funcionar, porque Kael estava na minha frente.

Porque o salão inteiro estava me olhando, ou porque o homem que pisaria sobre o cadáver do meu império um dia acabara de dizer que queria se casar comigo.

Não com Selene, Isabel ou Evelyn. Comigo.

Aquilo era absurdo, um completamente absurdo.

Eu ainda estava tentando processar quando senti sua mão segurar a minha, e meu corpo inteiro congelou.

Kael levou minha mão até os lábios, ogesto foi elegante e perfeito.

Exatamente como um pedido de casamento deveria ser, e foi isso que finalmente me trouxe de volta à realidade.

Arranquei minha mão da dele bruscamente, como se tivesse encostado em algo podre.

- Não.

O silêncio foi instantâneo, até os músicos pareciam ter esquecido como respirar.

Kael ergueu uma sobrancelha.

- Não? - Não.

Minha voz saiu mais alta dessa vez, e mais indignada.

Porque era isso, eu estava indignadíssimo.

- Nem morto.

O salão explodiu em choque.

- Cassian...

A voz de Kael parecia divertida, como se aquilo fosse engraçado, como se eu estivesse participando de uma brincadeira.

Aquilo me fez querer gritar.

- Você enlouqueceu?!

Algumas pessoas literalmente engasgaram.

Meu pai empalideceu, minha mãe fechou os olhos.

E Kael teve a audácia de parecer ainda mais interessado.

- Talvez.

Aquilo me deixou ainda mais furioso.

- Então procure um médico.

Por um segundo, achei que ele fosse rir, o que só pioraria a situação.

Mas felizmente, meu pai finalmente decidiu intervir, ou talvez tivesse finalmente recuperado a capacidade de pensar.

Ele praticamente atravessou o salão.

- Alteza... isso é sério?

Kael nem desviou os olhos de mim.

- Completamente.

Meu pai piscou confuso.

- Mas... Cassian? - O príncipe me impressionou.

Eu quase tive um colapso. Impressionado?

- Então pare.

Todos olharam para mim, inclusive Kael.

- O quê? - Pare de ficar impressionado.

Minha voz saiu carregada de indignação.

- Porque eu não vou me casar com você.

Nem nesta vida. Nem na próxima. Nem em cem vidas.

Pela primeira vez desde que o anúncio começou, o sorriso dele diminuiu um pouco, mas apenas um pouco.

- Tem tanta certeza assim? - Sim! - Que pena.

Que pena?

Como alguém podia parecer tão tranquilo diante de uma rejeição?

Eu estava cada vez mais convencido de que aquele homem tinha algum problema na cabeça.

Aquilo não fazia sentido nenhum.

Então, para meu completo horror, Kael continuou falando.

- Porque não pretendo escolher outra pessoa.

O salão silenciou novamente, e meu pai franziu a testa.

- Alteza?

Kael finalmente desviou os olhos de mim para encarar o imperador.

- Se o príncipe Cassian recusar minha proposta, então não me casarei com ninguém em Aster.

Desta vez o silêncio foi ainda pior, porque ninguém esperava aquilo.

Meu pai empalideceu visivelmente.

- N-Não se casará...? - Não.

Kael respondeu como se estivesse comentando o clima.

- Minha escolha já foi feita.

Meu estômago revirou, aquilo só podia ser uma brincadeira cruel.

- Alteza, talvez esteja sendo precipitado... - Não estou.

Meu pai lançou um olhar desesperado para minha mãe, que lançou um olhar desesperado para mim.

E eu tive a estranha sensação de que ambos estavam prestes a me jogar diretamente nos braços daquele lunático para evitar um incidente diplomático.

- Existem outras opções excelentes em nossa família - continuou o imperador cuidadosamente. - Minhas filhas...

- São muito respeitáveis.

Kael interrompeu educadamente.

- Mas não são quem eu escolhi.

Meu pai parecia cada vez mais próximo de um colapso.

Porque aquilo deixava de ser apenas uma proposta de casamento, tornava-se uma questão política.

Se Kael partisse sem uma aliança, todos os nobres presentes saberiam, e os reinos vizinhos saberiam. E, pior ainda, todos saberiam que a oportunidade foi perdida por causa de uma recusa pública.

- Eu realmente acredito que deveríamos conversar sobre isso com calma.

Meu pai tentou novamente.

- Não há pressa. - Claro que não.

Kael respondeu, então voltou a me encarar, cm aqueles malditos olhos vermelhos.

- Tenho toda a paciência do mundo.

Por algum motivo, aquelas palavras me causaram um arrepio, e eu não gostei nem um pouco disso.

Os nobres ao redor claramente não sabiam se estavam assistindo a uma proposta de casamento ou a uma declaração de guerra.

Foi nesse momento que senti os braços da minha mãe me envolverem por trás.

- Querido.

Ah não, ela usava aquela voz, que só usava quando eu estava prestes a fazer algo desastroso.

- Vamos conversar em um lugar mais tranquilo. - Não. - Cassian. - Não. - Querido. - Não. - Cassian. - Tá bom!

A resposta escapou antes que eu percebesse.

Droga. Minha mãe sorriu vitória.

Lancei um último olhar para Kael, e ele continuava me observando.

Calmo e interessado. Como se estivesse assistindo a algo extremamente divertido.

Eu o odiava, agora mais do que nunca.

- Você é maluco.

Foi a última coisa que disse antes de virar as costas, sem qualquer cerimônia. E fui embora.

—-

Não parei até chegar aos meus aposentos, nem se quer ouvi minha mãe tentando me alcançar.

Assim que entrei no quarto, bati a porta com tanta força que o barulho ecoou pelo corredor.

Então a tranquei, uma vez, duas, três.

Como se estivesse me protegendo de um assassino, oque, considerando quem estava no palácio, talvez não fosse tão absurdo.

Comecei a andar de um lado para o outro, tentando organizar meus pensamentos.

Sem sucesso, porque tudo estava errado.

Kael deveria ter ido embora, deveria desprezar Aster, e principalmente deveria ignorar minha existência.

Mas não. Nada estava acontecendo como deveria, e isso era assustador.

Muito mais assustador do que eu gostaria de admitir, porque eu já não sabia mais o que iria acontecer. E aquilo significava que eu tinha perdido minha maior vantagem.

Parei diante da janela, meu reflexo me encarava no vidro escuro.

Pela primeira vez desde que voltei no tempo, uma pergunta surgiu na minha mente.

E se o verdadeiro perigo desta vida não fosse a guerra?

E se fosse Kael?

Porque, naquele momento, uma coisa era certa.

Quem estava ficando louco não era eu. Era ele.

E, de alguma forma terrível, eu tinha a sensação de que aquilo era apenas o começo.

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