Capítulo 8: A Despedida?
Capítulo 10 · 5 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto

Cassian...
Eu estava perdendo a paciência. Não. Isso era uma mentira.
Eu já tinha perdido a paciência há dias, estava apenas descobrindo novas formas de ficar irritado.
Porque nada fazia sentido, absolutamente nada.
Já fazia quase duas semanas desde a chegada de Kael. E na minha vida passada, ele já deveria ter ido embora.
Deveria ter declarado que Aster era um reino governado por pessoas fútil, ter insultado metade da corte, e partido para o próximo reino da sua lista
Mas não, ele continuava ali. Como uma praga, ou uma punição enviada pelos céus especificamente para mim.
E o pior? Parecia estar se divertindo muito.
Eu tinha tentado de tudo, eventos, corredores, jardins, salões.
Eu tentava evitar qualquer lugar onde ele pudesse estar. Mas, de alguma forma absurda, ele sempre aparecia, era quase sobrenatural.
Eu até comecei a suspeitar que ele tinha algum espião me seguindo, porque era a única explicação possível.
Não importava o quanto eu tentasse evitá-lo.
Ele surgia. E então vinha uma provocação, um comentário, um sorriso, ou uma observação irritante.
Qualquer coisa, que fosse o suficiente para me tirar do sério.
No começo eu tentei ignorar, depois fugir que ele nem sequer existia.
Mas eu percebi que estava falhando miseravelmente.
Porque vez ou outra acabava respondendo, e toda vez que respondia, ele parecia satisfeito.
Como se tivesse vencido algum jogo invisível.
Idiota. Arrogante. Insuportável. Só de pensar nele meu humor piorava instantaneamente.
Mas apesar de tudo isso, havia uma coisa positiva.
As mudanças, tudo aquilo era uma mudança.
Kael nunca tinha se comportado daquela forma na minha vida passada, e o simples fato de ele ainda estar em Aster já era uma mudança enorme. E mudanças significavam possibilidades.
Significavam que o futuro não estava completamente escrito, que eu podia impedir o que aconteceu.
Impedir a guerra, a queda do império, e a minha morte.
Era uma esperança pequena frágil. Mas existia, e isso era melhor do que nada.
Mesmo que viesse acompanhada da presença irritante de Kael.
—-
A festa daquela noite era mais uma prova de que meus pais eram pessoas perigosamente persistentes.
Porque eu não queria estar ali, nem um pouco.
Mas meu pai tinha me subornado descaradamente, sem qualquer vergonha.
Com presentes, dinheiro, favores, e permissões especiais.
Foi uma negociação humilhante, principalmente porque funcionou.
Então ali estava eu.
Parado em um salão cheio de nobres, ouvindo música, sorrindo ocasionalmente, e tentando fingir que não queria fugir pela janela mais próxima.
Ao menos havia uma vantagem, Kael estava me deixando em paz.
Pela primeira vez em dias.
Sem nenhuma provocação, conversa, ou aparições repentinas.
Nada. Na verdade, ele parecia ocupado, passava boa parte do tempo próximo ao meu pai.
Conversando, discutindo alguma coisa.
Pareciam profundamente envolvidos em um assunto importante, era estranho.
Muito estranho, mas eu não reclamaria.
Talvez ele finalmente tivesse perdido o interesse, e encontrado algo melhor para fazer, ou talvez estivesse preparando sua partida.
Só a ideia quase me fez sorrir. Finalmente, eu poderia voltar a ter paz. Soltei um suspiro discreto.
Talvez aquela noite marcasse o fim daquele pesadelo.
—-
Algum tempo depois, meu pai bateu levemente sua taça, chamando a atenção do salão.
As conversas diminuíram, e a música cessou. Todos voltaram seus olhares para ele.
Era normal, meu pai adorava discursos, principalmente em festas.
Eu já estava preparado para ignorar metade do que ele diria.
- Gostaria de agradecer a presença de todos esta noite.
Lá vinha.
- Foi uma honra receber Sua Alteza Real, o príncipe Kael de Valdrik em nosso império.
Exatamente como imaginei. Meu pai continuou falando sobre diplomacia, amizade entre reinos, troca cultural, e cooperação.
As mesmas coisas de sempre, eu quase nem estava prestando atenção. Porque já sabia como aquilo terminaria.
Meu pai agradeceria, todos aplaudiram, e Kael partiria em breve.
Fim da história.
Então ouvi uma frase que me fez erguer a cabeça imediatamente.
- E tenho o enorme prazer de anunciar que Sua Alteza encontrou alguém digno de ingressar em sua família.
Meu coração falhou uma batida.
Espera. O quê?
O salão inteiro pareceu se animar, alguns nobres começaram a cochichar, e minhas irmãs ficaram visivelmente surpresas.
Mas meu pai sorria de orelha a orelha.
- Confesso que estou extremamente curioso para saber qual de minhas filhas conquistou seu interesse.
Filhas, claro.
Fazia sentido, era exatamente para isso que aquela visita existia.
Meu corpo relaxou um pouco.
Certo, tudo normal. Tudo dentro do esperado, então meu pai voltou-se para Kael.
- Alteza... quem foi a escolhida?
O salão inteiro silenciou-se, e eu também. Por reflexo, meu olhar encontrou o dele, apenas por curiosidade, queria saber qual seria sua resposta, para quem ele olharia.
Selene? Isabel? Evelyn? Qual delas?
Mas então algo estranho aconteceu. Kael começou a caminhar. E não foi na direção das minhas irmãs, nem da minha mãe e nem de qualquer outra pessoa.
Foi na minha direção.
Meu cérebro demorou alguns segundos para processar aquilo, porque simplesmente não fazia sentido nenhum.
Talvez estivesse passando por mim. Talvez.
Talvez houvesse alguém atrás de mim. Talvez...
Mas ele parou, na minha frente, e meu coração disparou descompassado.
O salão inteiro parecia ter desaparecido, eu só conseguia olhar para ele.
Tentando entender, encontrar lógica, ou acordar.
Porque aquilo definitivamente era um pesadelo.
Um pesadelo. Tinha que ser.
Mas Kael sorriu, pequeno e calmo. Perfeitamente satisfeito, e então falou.
- Não foi uma das filhas de Vossa Majestade que mais me agradou.
Silêncio absoluto. Eu
podia ouvir meu próprio coração, batendo rápido demais.
- Foi o seu filho mais novo.
O mundo parou literalmente, meu cérebro recusou-se a processar as palavras. Porque elas não faziam sentido, eram impossíveis, de tão absurdas que eram.
Porque ele estava olhando diretamente para mim.
- O príncipe Cassian.
Não. Não. Não.
Eu devia estar morto, devia estar sonhando, ou enlouquecendo.
Qualquer coisa, qualquer explicação, qualquer uma. Porque a realidade era muito pior.
Kael continuava me encarando, completamente tranquilo.
Como se não tivesse acabado de destruir o pouco de estabilidade mental que eu ainda possuía.
- E é com ele que desejo me casar.
O salão explodiu, eu não.
Eu permaneci imóvel. Paralisado. Em choque absoluto.
Porque existiam muitas coisas que eu esperava desta segunda vida, mas jamais em nenhuma delas, eu imaginei que o homem que me matou pediria minha mão em casamento.