Pular para o conteúdo

Destino Escarlate

Capítulo 7: Minha Escolha.

Destino Escarlate

Capítulo 7: Minha Escolha.

Capítulo 8 · 8 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto

Kael...

Se alguém me perguntasse quando exatamente aquilo tinha saído do controle, eu não saberia responder.

Talvez tivesse sido durante aquele almoço, talvez durante a discussão no baile, talvez no momento em que comecei a procurá-lo em todos os lugares.

Não sei, mas o fato era que eu estava satisfeito. Ridiculamente satisfeito, e isso era um problema. Porque eu já não estava mais em Aster por motivos políticos, não completamente. Nos últimos dias, eu tinha desenvolvido um passatempo, extremamente específico. Irritar Cassian. No começo foi acidental, depois foi deliberado.

E agora? Agora eu procurava oportunidades.

Passeios pelos jardins, recepções diplomáticas, jantares, e eventos sociais. Se Cassian aparecesse, eu aparecia também.E se eu aparecesse, as reações vinham sempre.

Era quase fascinante. O franzir de testa, o olhar indignado. A expressão de quem acabava de encontrar algo extremamente desagradável.

Cassian era incapaz de esconder suas emoções, e eu descobri que gostava disso muito.

O mais curioso era que ele havia desenvolvido uma estratégia própria.

Me ignorar sempre.

Aparentemente acreditava que, se fingisse que eu não existia, eu acabaria desistindo. Não funcionou, na verdade, teve exatamente o efeito contrário.

Quanto mais me ignorava, mais vontade eu tinha de provocá-lo. Por isso aquela situação tinha se transformado em uma espécie de guerra silenciosa.

Cassian fingia que eu não existia. Eu fingia acreditar nele.

Então fazia algum comentário apenas para vê-lo perder a paciência, mas nem sempre funcionava.

Às vezes ele conseguia escapar, e simplesmente ir embora. Mas, de vez em quando, ele mordia a isca. E aquilo tornava meu dia muito mais agradável.

Chegava a ser completamente ridículo. Mas agradável.

- Alteza?

A voz do imperador trouxe-me de volta à realidade.

Levantei os olhos. Eu estava sentado em uma das salas privadas do palácio.

Apenas eu e o imperador, em uma conversa que, honestamente, já deveria ter acontecido há dias.

Porque minha estadia estava chegando ao fim, daqui a dois dias completaria exatamente duas semanas desde minha chegada a Aster.

O prazo originalmente planejado.

- Imagino que já tenha chegado a uma conclusão.

Claro, era inevitável. Esse era o motivo oficial daquela viagem.

O casamento.

Por alguns segundos permaneci em silêncio, pensando. A verdade era simples.

Eu não queria me casar com nenhuma das princesas de Aster. Selene era inteligente, e talvez inteligente demais.

Isabel era impulsiva e imatura.

E Evelyn parecia completamente despreparada para a posição que ocuparia.

Além disso, nenhuma delas despertava qualquer interesse em mim.

Eu já tinha passado tempo suficiente com todas, e sabia exatamente qual seria o resultado daquele casamento, com qualquer uma delas.

E se eu era obrigado a escolher alguém, ao menos gostaria que essa pessoa fosse interessante.

A ideia surgiu novamente.

Naturalmente, como acontecia com frequência nos últimos dias.

Cassian.

Imaginei sua reação, apenas por um instante.

Imaginei sua expressão ao descobrir que deveria deixar Aster, sua indignação e revolta.

Talvez até fizesse um escândalo, a imagem foi tão vívida que quase consegui ouvi-lo reclamando. E, contra minha vontade, um sorriso surgiu.

Pequeno e breve.

Mas suficiente, para o imperador imediatamente se animar.

- Vejo que já tomou sua decisão.

Ah, ele tinha entendido errado. Ou talvez não.

Dependia do ponto de vista.

- Talvez.

O sorriso do imperador aumentou.

- Qual delas?

Delas, interessante. Ele sequer considerava outra possibilidade.

E por que consideraria?

Cassian era um homem, que nem sequer possuía um gênero secundário, e não me daria herdeiros.

Além disso, era Cassian, provavelmente ninguém imaginaria algo assim, nem mesmo o próprio Cassian.

A ideia me divertiu mais do que deveria, muito mesmo.

Mas não era apenas diversão, não completamente.

Cassian era próximo do imperador, mais especificamente da imperatriz.

Era evidente, e isso também possuía valor político. Mesmo que eu eventualmente me cansasse de suas provocações, e que perdesse o interesse.

Ele ainda seria útil. Um vínculo diplomático, e uma garantia.

Talvez até um refém político extremamente eficiente, caso as circunstâncias exigissem.

A avaliação foi rápida, e prática. E, ainda assim, a verdade era que o principal motivo continuava sendo outro.

Por fim, tomei minha decisão.

- Gostaria de manter isso em segredo por mais algumas horas.

O imperador pareceu surpreso.

- Em segredo? - Quero fazer uma surpresa.

Ele soltou uma risada satisfeita. Claramente devia estar convencido de que eu falava de uma de suas filhas.

- Então realmente encontrou alguém que o impressionou. - Sim.

Isso, ao menos, era verdade.

- Pretendo anunciar minha escolha durante o evento desta noite.

O imperador assentiu imediatamente.

- Excelente ideia. - Mas tenho um pedido. - Claro. - Quero que toda a família imperial esteja presente.

Todos, sem exceções. Principalmente uma pessoa.

O imperador pareceu ainda mais satisfeito.

- Naturalmente.

Isso não será um problema, ele apoiou as mãos sobre a mesa, visivelmente feliz.

Muito mais feliz do que eu esperava.

- Fico contente, Alteza. - Espero que esta aliança traga prosperidade para ambos os nossos reinos.

Sorri educadamente.

- Também espero.

Era uma mentira, ao menos em parte, porque naquele momento eu estava muito mais interessado em outra coisa.

E, pela primeira vez desde que cheguei a Aster, comecei a aguardar ansiosamente a chegada da noite.

Porque tinha a sensação de que seria extremamente interessante.

Ridiculamente satisfeito, e isso era um problema.

Porque eu já não estava mais em Aster por motivos políticos, não completamente.

Nos últimos dias, eu tinha desenvolvido um passatempo, extremamente específico.

Irritar Cassian. No começo foi acidental, depois foi deliberado.

E agora? Agora eu procurava oportunidades. Passeios pelos jardins, recepções diplomáticas, jantares, e eventos sociais. Se Cassian aparecesse, eu aparecia também. E se eu aparecesse, as reações vinham sempre. Era quase fascinante. O franzir de testa, o olhar indignado. A expressão de quem acabava de encontrar algo extremamente desagradável. Cassian era incapaz de esconder suas emoções, e eu descobri que gostava disso muito. O mais curioso era que ele havia desenvolvido uma estratégia própria. Me ignorar sempre. Aparentemente acreditava que, se fingisse que eu não existia, eu acabaria desistindo. Não funcionou, na verdade, teve exatamente o efeito contrário. Quanto mais me ignorava, mais vontade eu tinha de provocá-lo. Por isso aquela situação tinha se transformado em uma espécie de guerra silenciosa. Cassian fingia que eu não existia. Eu fingia acreditar nele. Então fazia algum comentário apenas para vê-lo perder a paciência, mas nem sempre funcionava. Às vezes ele conseguia escapar, e simplesmente ir embora. Mas, de vez em quando, ele mordia a isca. E aquilo tornava meu dia muito mais agradável. Chegava a ser completamente ridículo. Mas agradável. - Alteza? A voz do imperador trouxe-me de volta à realidade. Levantei os olhos. Eu estava sentado em uma das salas privadas do palácio. Apenas eu e o imperador, em uma conversa que, honestamente, já deveria ter acontecido há dias. Porque minha estadia estava chegando ao fim, daqui a dois dias completaria exatamente duas semanas desde minha chegada a Aster. O prazo originalmente planejado. - Imagino que já tenha chegado a uma conclusão. Claro, era inevitável. Esse era o motivo oficial daquela viagem. O casamento. Por alguns segundos permaneci em silêncio, pensando. A verdade era simples. Eu não queria me casar com nenhuma das princesas de Aster. Selene era inteligente, e talvez inteligente demais. Isabel era impulsiva e imatura. E Evelyn parecia completamente despreparada para a posição que ocuparia. Além disso, nenhuma delas despertava qualquer interesse em mim. Eu já tinha passado tempo suficiente com todas, e sabia exatamente qual seria o resultado daquele casamento, com qualquer uma delas. E se eu era obrigado a escolher alguém, ao menos gostaria que essa pessoa fosse interessante. A ideia surgiu novamente. Naturalmente, como acontecia com frequência nos últimos dias. Cassian. Imaginei sua reação, apenas por um instante. Imaginei sua expressão ao descobrir que deveria deixar Aster, sua indignação e revolta. Talvez até fizesse um escândalo, a imagem foi tão vívida que quase consegui ouvi-lo reclamando. E, contra minha vontade, um sorriso surgiu. Pequeno e breve. Mas suficiente, para o imperador imediatamente se animar. - Vejo que já tomou sua decisão. Ah, ele tinha entendido errado. Ou talvez não. Dependia do ponto de vista. - Talvez. O sorriso do imperador aumentou. - Qual delas? Delas, interessante. Ele sequer considerava outra possibilidade. E por que consideraria? Cassian era um homem, que nem sequer possuía um gênero secundário, e não me daria herdeiros. Além disso, era Cassian, provavelmente ninguém imaginaria algo assim, nem mesmo o próprio Cassian. A ideia me divertiu mais do que deveria, muito mesmo. Mas não era apenas diversão, não completamente. Cassian era próximo do imperador, mais especificamente da imperatriz. Era evidente, e isso também possuía valor político. Mesmo que eu eventualmente me cansasse de suas provocações, e que perdesse o interesse. Ele ainda seria útil. Um vínculo diplomático, e uma garantia. Talvez até um refém político extremamente eficiente, caso as circunstâncias exigissem. A avaliação foi rápida, e prática. E, ainda assim, a verdade era que o principal motivo continuava sendo outro. Por fim, tomei minha decisão. - Gostaria de manter isso em segredo por mais algumas horas. O imperador pareceu surpreso. - Em segredo? - Quero fazer uma surpresa. Ele soltou uma risada satisfeita. Claramente devia estar convencido de que eu falava de uma de suas filhas. - Então realmente encontrou alguém que o impressionou. - Sim. Isso, ao menos, era verdade. - Pretendo anunciar minha escolha durante o evento desta noite. O imperador assentiu imediatamente. - Excelente ideia. - Mas tenho um pedido. - Claro. - Quero que toda a família imperial esteja presente. Todos, sem exceções. Principalmente uma pessoa. O imperador pareceu ainda mais satisfeito. - Naturalmente. Isso não será um problema, ele apoiou as mãos sobre a mesa, visivelmente feliz. Muito mais feliz do que eu esperava. - Fico contente, Alteza. - Espero que esta aliança traga prosperidade para ambos os nossos reinos. Sorri educadamente. - Também espero. Era uma mentira, ao menos em parte. Porque naquele momento eu estava muito mais interessado em outra coisa. E, pela primeira vez desde que cheguei a Aster, comecei a aguardar ansiosamente a chegada da noite. Porque tinha a sensação de que seria extremamente interessante.

Comentários

Entre para comentar neste capítulo.
Ninguém comentou ainda
Seja a primeira pessoa a dizer o que achou.