Reencarnei no BL que Eu Nunca Li
Capítulo 2
Capítulo 3 · 15 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto
Eu precisava mijar.
Era, naquele momento, a única certeza que me restava na vida.
Meu rosto tinha sido trocado, minhas mãos pareciam pertencer a um pianista e eu estava preso num quarto que provavelmente custava mais do que o prédio inteiro onde eu morava. Mas, apesar de tudo isso, minha bexiga continuava funcionando.
Graças a Deus. Pelo menos uma parte do meu organismo ainda trabalhava direito.
Afastei o cobertor e coloquei os pés no chão.
Ou tentei.
O piso estava frio, e meus pés descalços fizeram contato com alguma coisa tão macia que parei para olhar. Um tapete. Um tapete enorme, felpudo, com desenhos delicados.
Até o chão era mais rico do que eu.
— Ah, pronto. Agora eu vou ter que descobrir onde fica o banheiro.
Levantei-me devagar. O corpo pareceu balançar por um instante, e precisei apoiar a mão na cama para não perder o equilíbrio.
Aquilo estava ficando irritante.
Eu não era um homem frágil. Fazia academia, carregava minhas próprias compras e nunca tinha precisado de ajuda para sair de uma cama. Se eu estava me sentindo esquisito, era porque alguém tinha me dado alguma coisa na festa.
Alguma bebida batizada, talvez.
Ou eu tinha exagerado de verdade.
Não seria a primeira vez que uma noite começava com duas cervejas e terminava com alguém dizendo que eu precisava beber água.
Olhei para a porta.
Será que alguma gostosa tinha me encontrado caído e me levado para um hotel?
A ideia não era ruim.
Talvez ela fosse tímida. Talvez tivesse me achado bonito demais para abandonar no chão. Talvez tivesse dinheiro, bom gosto e uma queda por homens com abdômen definido.
Eu não podia culpá-la.
O problema era a decoração.
A menos que a mulher fosse herdeira de alguma família tradicional, não fazia sentido me trazer para um lugar daqueles. E, se fosse esse o caso, por que não estava aqui agora, admirando a sorte que teve?
Passei a mão pelo cabelo.
Ou pelo que agora era o meu cabelo.
— Tá. Segunda possibilidade: meus amigos.
Essa era mais provável.
Aqueles desgraçados viviam reclamando da minha autoestima. Bastava eu dizer que estava bonito para alguém mandar uma indireta. Bastava uma mulher olhar duas vezes na minha direção para começarem as piadinhas.
Inveja.
Era isso.
Não conseguiam ser tão incríveis quanto eu e resolveram montar uma encenação elaborada para me humilhar.
Muito maduro.
Quando encontrasse aqueles filhos da mãe, ia descobrir quem tinha participado da brincadeira e cobrar uma indenização emocional.
A porta do quarto estava entreaberta. Abri-a e encontrei um corredor comprido, com paredes claras, quadros ornamentados e janelas altas. Mais adiante, havia outra porta.
Finalmente.
Entrei sem bater.
O banheiro era maior do que o meu quarto.
Parei na entrada.
Havia uma banheira de louça, torneiras metálicas trabalhadas, toalhas dobradas sobre um móvel e uma bancada de pedra clara. Perto da parede, um espelho alto refletia praticamente o ambiente inteiro.
Fiquei olhando para aquilo.
— Puta que pariu. O hotel tem até banheira de rico.
Aproximei-me do que parecia ser o vaso sanitário.
Pelo menos uma coisa naquele lugar eu esperava que fosse fácil de entender.
Fechei a porta, levantei a camisola e comecei a me preparar para fazer o que precisava.
Foi então que olhei para baixo.
Parei.
Olhei de novo.
Meu cérebro levou alguns segundos para processar a informação.
Depois, processou outra vez, como se estivesse esperando que a realidade percebesse o erro e corrigisse o próprio trabalho.
Não corrigiu.
— ...
Aproximei o rosto.
Não.
Não, não, não.
Levei a mão até lá, conferindo se eu estava vendo direito.
Eu estava.
E isso era um problema.
— CADÊ O CADU JÚNIOR?
Minha voz ecoou pelo banheiro.
Fiquei encarando o próprio corpo, esperando uma explicação aparecer junto com um pedido formal de desculpas.
Nada.
— O que é isso? — murmurei, indignado. — Isso aqui é o quê? Um amendoim?
Olhei ao redor, como se alguém pudesse estar escondido atrás da banheira, prestes a pular para fora e gritar que era uma pegadinha.
Ninguém apareceu.
— Nem está frio, caralho!
Apontei para o próprio corpo.
— Não tem desculpa! Não está frio, eu não estou numa piscina, não estou no inverno! Cadê o resto?
O silêncio do banheiro foi ofensivo.
Eu não sabia quem tinha organizado aquela brincadeira, mas a pessoa responsável tinha ultrapassado todos os limites aceitáveis do humor.
Aquilo não era uma pegadinha.
Era uma agressão à minha dignidade.
Respirei fundo, tentando não entrar em pânico.
Eu estava bêbado.
Só podia ser isso.
Bebida demais, alguma droga, uma alucinação muito específica. Talvez eu tivesse batido a cabeça e estivesse sonhando. Talvez estivesse em coma e meu cérebro tivesse decidido criar a experiência mais absurda possível.
Qualquer coisa era melhor do que considerar a possibilidade de que aquele corpo fosse real.
Terminei de fazer xixi, lavei as mãos e me virei para a bancada.
O espelho de corpo inteiro estava bem diante de mim.
Pela primeira vez, tive a oportunidade de ver o desconhecido sem o obstáculo do cobertor, da cama ou do meu próprio desespero.
E, olha...
Que filho da mãe bonito.
Fiquei imóvel.
Aquela constatação escapou antes que eu pudesse impedir.
O rosto era delicado, os olhos tinham um tom acinzentado que parecia mudar com a luz, a pele era clara e o cabelo escuro caía em mechas sobre a testa. O corpo era esguio, com cintura estreita, ombros delicados e pernas compridas.
Não era o meu tipo de corpo.
Definitivamente.
Mas bonito? Era.
Muito bonito.
Eu tinha olhos. Não precisava mentir para mim mesmo.
Aproximei-me do espelho e virei o rosto de um lado para o outro.
— Quem é você, hein?
O reflexo não respondeu.
Apertei uma das bochechas.
Soltei imediatamente.
— Caralho.
A pele era macia.
Não macia como a de um homem que cuida do rosto e usa um hidratante decente. Macia como a de alguém que provavelmente nunca precisou esfregar uma mancha de gordura da própria camiseta.
Apertei a outra bochecha.
— Isso aqui é pele ou massa de pão?
Continuei examinando o rosto.
Nariz bonito. Boca bonita. Cílios compridos. Uma aparência tão delicada que eu provavelmente seria confundido com um modelo de maquiagem se aparecesse na rua.
Mas havia uma questão muito mais importante.
Inclinei a cabeça.
O reflexo inclinou também.
— Tá, você é bonito. Parabéns. Mas você é um cara, né?
Aproximei o rosto do espelho.
— Porque, sinceramente, se você for uma mulher, eu vou precisar de um advogado.
Passei as mãos pelos ombros, pelo peito e pela cintura, tentando entender as proporções daquele corpo. Não encontrei nenhuma explicação que fizesse sentido.
Era um homem.
Pelo menos, parecia ser.
Um homem muito bonito, com uma cara que me faria desconfiar de qualquer pessoa que dissesse que nunca tinha recebido atenção.
Mas não era eu.
E o Cadu Júnior...
O Cadu Júnior tinha sido reduzido a um amendoim.
Fechei os olhos.
— Eu vou matar meus amigos.
Foi a única conclusão que consegui alcançar.
Se aquilo era uma brincadeira, eles tinham gastado dinheiro demais. Se era uma alucinação, meu cérebro tinha um senso de humor péssimo. E, se existisse alguma terceira possibilidade, eu não estava disposto a conhecê-la antes do café da manhã.
Café da manhã.
Meu estômago roncou.
Olhei para a própria barriga.
— Pelo menos você ainda sabe trabalhar.
Foi quando ouvi uma batida na porta do banheiro.
— Lith, meu querido?
Congelei.
Lith.
Era a segunda vez que ouvia aquele nome.
Ou a terceira.
Não importava. Eu não conhecia nenhum Lith.
— Meu querido? — a voz repetiu, agora mais aflita. — Está se sentindo bem?
Meu querido?
Quem era aquela pessoa?
Olhei para a porta, depois para o espelho.
— Se for algum dos meus amigos, eu juro que vou...
A maçaneta se moveu.
— Lith? Sou eu, meu amor.
A porta se abriu antes que eu conseguisse responder.
Uma mulher elegante entrou apressada, seguida por um homem alto, de postura imponente e cabelos escuros com alguns fios grisalhos. Ambos vestiam roupas que pareciam ter saído de um retrato antigo de família nobre.
A mulher foi a primeira a me ver.
Seus olhos se arregalaram.
— Meu Deus! Lith!
Ela atravessou o banheiro e segurou meu rosto entre as mãos.
Eu recuei por puro reflexo.
— Ei! Calma! Quem é você?
A mulher parou.
O homem atrás dela também.
Os dois me olharam como se eu tivesse acabado de dizer alguma coisa terrível.
— Meu querido? — ela perguntou, num fio de voz.
Olhei para as mãos dela no meu rosto. Depois para o homem. Depois para a porta aberta.
— Tá, vamos com calma. Quem são vocês e por que estão me chamando de Lith?
A mulher ficou ainda mais pálida.
— Maximus... — sussurrou, virando-se para o homem. — Ele ainda está confuso.
O sujeito se aproximou, sério, mas havia preocupação nos olhos.
— Lith, sou seu pai.
Meu cérebro parou.
Seu pai?
A mulher segurou minha mão.
— E eu sou sua mãe, meu amor. Você nos deu um susto terrível.
Olhei para os dois.
Pai.
Mãe.
Aparentemente, eu tinha ganhado uma família nova junto com o corpo de outra pessoa.
Era um pacote completo.
— Certo — falei devagar. — Então vocês são meus pais.
A mulher assentiu, emocionada.
Eu apontei para o homem.
— Você é o pai.
Depois para ela.
— E você é a mãe.
Os dois trocaram um olhar.
— Sim, querido — Eva respondeu, tentando sorrir. — Somos nós.
— Tá.
Silêncio.
Eu precisava encontrar alguma coisa para dizer que não fosse perguntar se eles tinham enlouquecido.
— E por que eu estou nesse banheiro?
Meu suposto pai fechou os olhos por um instante, como se estivesse pedindo paciência a alguma divindade.
Minha suposta mãe acariciou meu rosto.
— Você sofreu uma queda, meu pequeno lírio. Ficamos muito preocupados. O médico recomendou repouso, e você passou a noite dormindo. Talvez ainda esteja sentindo os efeitos da pancada.
Meu pequeno lírio?
Olhei para ela.
— Meu quê?
— Meu pequeno lírio — repetiu, com a maior naturalidade do mundo.
Meu estômago revirou.
Eu tinha vinte e sete anos.
Vinte e sete!
Não era um bebê, um cachorrinho ou uma planta ornamental.
— Tá, mãe... — A palavra saiu antes que eu pudesse pensar. — Quer dizer, senhora. Não sei. Tanto faz.
Ela levou a mão à boca.
— Maximus, ele está mesmo muito confuso.
— Eu estou ouvindo vocês — avisei.
— Naturalmente, querido — respondeu ela, com uma delicadeza que me deu vontade de sacudir os ombros dela. — Não estamos falando de você como se não estivesse aqui.
— Estão, sim.
Meu pai limpou a garganta.
— Lith, sua mãe está preocupada. Não há necessidade de responder com tanta rudeza.
Olhei para ele.
Rudeza?
Eu tinha acabado de descobrir que estava num corpo desconhecido, num banheiro desconhecido, numa casa desconhecida, cercado por duas pessoas que juravam ser meus pais.
Se alguém estava sendo razoável naquela conversa, definitivamente não eram eles.
— Pai, com todo respeito, eu estou passando por uma situação muito estranha.
Ele ficou imóvel.
Eva apertou minha mão.
— Nós sabemos, meu querido. Você caiu e bateu a cabeça. Não precisa se esforçar para entender tudo agora.
Caí.
Finalmente, uma informação que eu reconhecia.
— Eu caí?
— Sim, meu pequeno lírio — ela respondeu. — Ontem, durante o passeio nos jardins.
Passeio nos jardins?
Que jardins?
Eu tinha ido a uma festa.
Uma festa com música alta, bebidas ruins e mulheres que não sabiam reconhecer uma oportunidade quando ela aparecia na frente delas.
— Não, espera. Eu caí numa festa.
Os dois ficaram em silêncio.
Maximus franziu a testa.
— Numa festa?
— É. Uma festa. Música, bebida, gente bonita. Eu estava conversando com uma mulher e...
Parei.
Eva olhou para Maximus.
Maximus olhou para Eva.
A expressão dos dois era tão estranha que comecei a desconfiar de que a minha história não estava ajudando.
— Talvez seja melhor chamarmos o médico novamente — ela disse.
— Não precisa de médico! — respondi. — Eu preciso de respostas.
— E nós as daremos, assim que você estiver melhor — meu pai retrucou. — Mas, enquanto estiver doente, não é motivo para agir tão rudemente com sua mãe.
Olhei para ele.
Depois para ela.
Depois para o teto.
— Eu estou com fome.
A frase escapou de repente.
Os três ficamos em silêncio.
Eva piscou, surpresa.
Maximus pareceu reconsiderar todas as escolhas que o tinham levado até aquele momento.
Eu dei de ombros.
— O quê? Estou com fome. Vocês querem que eu descubra o sentido da vida de estômago vazio?
Eva soltou um suspiro, mas a preocupação em seu rosto diminuiu um pouco.
— Preparem o desjejum — pediu ela para alguém do lado de fora. — E avisem à senhorita Helena que o irmão está acordado.
Irmão.
Helena.
Desjejum.
Cada nova palavra era uma peça de um quebra-cabeça que eu não tinha pedido para montar.
Maximus ofereceu o braço à esposa.
— Vamos levá-lo à sala de refeições. Talvez comer alguma coisa o ajude a se sentir melhor.
— Desde que ninguém tente me dar remédio escondido — murmurei.
— O que disse, querido? — Eva perguntou.
— Nada. Estou morrendo de fome.
Ela voltou a me chamar de meu pequeno lírio.
Eu decidi que, se sobrevivesse àquela manhã, exigiria que todos parassem com aquilo.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.
A sala de refeições parecia ter sido construída para alimentar um exército de pessoas que nunca tinham ouvido falar em porções individuais.
A mesa era comprida, coberta por uma toalha impecável, com pratos, taças, talheres e uma quantidade absurda de coisas que eu não fazia ideia de como usar. Havia pães, frutas, geleias, queijos, uma jarra de leite e um bule de chá soltando vapor.
Pelo menos, a comida parecia de verdade.
Fui conduzido até uma cadeira e me sentei.
Eva ficou à minha direita. Maximus ocupou a cabeceira. Uma cadeira permanecia vazia do outro lado da mesa.
— Helena já deve estar chegando — comentou Eva.
Helena.
A tal irmã.
Eu estava começando a me perguntar quantas pessoas faziam parte daquela família inventada.
Uma porta se abriu.
— Mãe, disseram que Lith acordou...
A voz parou no meio da frase.
Virei a cabeça.
Uma jovem entrou na sala. Tinha cabelos escuros, postura elegante e um olhar atento que passou rapidamente pelo meu rosto, pelas minhas roupas e pela maneira como eu estava sentado.
Ela era bonita, mas não demonstrou a menor intenção de me admirar.
Péssimo começo.
— Bom dia, irmão — disse ela, aproximando-se.
— Bom dia.
Ela parou por um instante.
Eu parei também.
Alguma coisa no olhar dela me incomodou.
Não era preocupação, exatamente. Eva parecia preocupada. Maximus parecia preocupado e irritado. Aquela garota, por outro lado, parecia estar comparando duas coisas e tentando descobrir por que não combinavam.
— Como está se sentindo? — perguntou.
— Com fome.
Ela olhou para a mesa.
— Imagino que isso seja um bom sinal.
— Finalmente alguém inteligente nesta casa.
— Lith — Maximus advertiu.
— O quê? Foi um elogio.
Helena puxou a cadeira e se sentou à minha frente.
— Você costuma elogiar as pessoas insultando o restante da família?
Gostei dela.
Tinha resposta rápida.
— Depende. Você costuma fazer perguntas cuja resposta já conhece?
O canto da boca dela se moveu, mas não chegou a formar um sorriso.
— Entendo.
Não, não entendia.
Eu também não.
Eva começou a servir o chá, e eu aproveitei a distração para pegar um pedaço de pão. Mordi com vontade.
Bom.
Pelo menos aquele mundo sabia fazer pão.
— Lith — Helena chamou.
Continuei mastigando.
— Hm?
— Você se lembra do que aconteceu ontem?
Engoli.
— Mais ou menos.
— Mais ou menos? — ela repetiu.
— Eu caí.
— Isso nós sabemos. Estou perguntando o que aconteceu antes.
Olhei para ela.
O que aconteceu antes?
Uma festa. Uma mulher. Uma bebida. O chão.
Mas aquela não era a história que meus supostos pais tinham contado.
— Eu estava passeando — respondi, testando a palavra.
Helena apoiou os cotovelos na mesa.
— Passeando?
— É. Nos jardins. Foi o que me disseram.
Ela trocou um olhar rápido com Eva.
Aquele olhar estava começando a me irritar.
— Algum problema? — perguntei.
— Nenhum — respondeu Helena.
— Então parem de se olhar como se eu tivesse duas cabeças.
Eva pousou a xícara no pires.
— Lith, querido, sua irmã só está preocupada.
— Todo mundo está preocupado. Parece até que eu morri.
Ninguém riu.
Péssimo público.
Helena continuou me observando.
— Você está diferente hoje.
A frase fez meu estômago apertar.
— Diferente como?
Ela inclinou a cabeça.
— Não sei dizer.
— Então como sabe que estou diferente?
— Porque conheço você.
Ah, ótimo.
A única coisa de que eu precisava era uma pessoa que conhecesse o dono original daquele corpo e estivesse prestando atenção demais.
Dei outra mordida no pão.
— Talvez eu tenha batido a cabeça.
— Talvez — ela concordou.
Mas o jeito como disse aquilo não me tranquilizou nem um pouco.
Helena pegou a própria xícara e tomou um gole de chá, sem desviar os olhos de mim.
— Espero que melhore logo, irmão.
O sorriso que ela me ofereceu era pequeno, educado e completamente suspeito.
Eu não fazia ideia de quem era Lith Inoar.
Não sabia por que aquela família me tratava como se eu fosse alguém importante.
Não sabia onde estava, como tinha chegado ali ou por que meu corpo parecia ter sido escolhido por alguém que odiava a minha felicidade.
Mas uma coisa estava ficando cada vez mais clara.
Não tinha pegadinha nenhuma. Aquilo não era um hotel granfino e não havia gostosa nenhuma com quem eu tivesse passado a noite.
E, pela primeira vez desde que acordei, comecei a achar que a situação estava ficando muito, muito esquisita.