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Reencarnei no BL que Eu Nunca Li

Capítulo 7

Reencarnei no BL que Eu Nunca Li

Capítulo 7

Capítulo 8 · 7 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto

Eu tinha uma missão: conseguir uma roupa que fizesse justiça à minha beleza.

Não era pedir muito. Eu estava hospedado numa mansão, cercado por gente rica e prestes a comparecer a um baile da nobreza. Se havia uma ocasião em que precisava estar impecável, era aquela.

Além disso, eu não sabia quanto tempo ficaria preso naquele coma. Podia acordar amanhã, daqui a uma semana ou depois de seis meses, com o abdômen transformado numa almofada e uma enfermeira perguntando se eu queria fisioterapia.

Caralho, só de pensar nisso já me dava uma agonia.

Eu tinha trabalhado para conquistar aquele tanquinho. Não que fosse obcecado por academia, mas seria uma injustiça perder tudo enquanto minha mente inventava uma novela de época.

— Se eu acordar com barriga de cerveja, vou processar alguém — resmunguei.

Não sabia quem. O hospital, Deus, o universo... A lista estava aberta.

Pelo menos, enquanto não acordava, podia aproveitar a vida de nobre. Comida boa, cama confortável e ninguém me cobrando para trabalhar. Se o preço fosse passar um tempo num corpo delicado e sentir cheiro de lírio o dia inteiro, eu conseguiria suportar.

Agora, quanto ao baile, a história era outra. Eu não pretendia aparecer diante de um salão cheio de gente importante parecendo um idiota. Já tinha estudado o básico da etiqueta e dos títulos; faltava cuidar da aparência.

Foi assim que recebi as três profissionais responsáveis pelas roupas da família Inoar. A senhora Mirelle, uma mulher de meia-idade, trazia um caderno de anotações. As outras duas carregavam amostras de tecidos e desenhos.

— Jovem mestre Lith, sua irmã nos informou que deseja escolher pessoalmente o traje para o baile dos marqueses de Valenne.

— Exatamente. Quero uma roupa que faça as pessoas olharem para mim e pensarem: caralho, quem é esse homem?

As três trocaram olhares.

Mirelle foi a primeira a responder:

— Compreendo. Deseja causar uma impressão inesquecível.

— Finalmente alguém que entende a minha visão.

Ela abriu os desenhos. Os modelos tinham tecidos leves, mangas amplas e camadas que caíam de maneira fluida. Eram elegantes, mas alguns pareciam feitos para um príncipe que passava o dia olhando pela janela e suspirando por um amor impossível.

— Vocês têm alguma coisa mais marcante? — perguntei.

— Podemos valorizar sua silhueta, destacar seus ombros e preservar a delicadeza natural de sua aparência — explicou Mirelle.

Franzi a testa.

— A delicadeza?

— Sua beleza é bastante refinada, jovem mestre.

Olhei para ela. Ela olhou para mim.

Eu tinha certeza de que havia algum insulto escondido naquela conversa, mas não consegui descobrir onde.

— Desde que eu fique bonito, façam o que acharem melhor.

As três pareceram aliviadas e começaram a discutir cores. Marfim, pérola, azul-pálido, detalhes prateados... Eu preferia preto, mas reconhecia um bom trabalho quando via um. E, se aquele era o estilo de roupa que as pessoas usavam naquele mundo, não adiantava insistir em aparecer vestido como se estivesse indo para um velório.

O problema surgiu quando Mirelle perguntou:

— E que tipo de impressão deseja causar nos convidados?

— Quero chamar a atenção das mulheres, é claro.

A profissional mais jovem sorriu.

— Entendo perfeitamente.

Não, não entendia. Mas deixei passar.

— Então podemos escolher algo que valorize seus traços e realce sua elegância — disse Mirelle. — Um traje que desperte interesse sem parecer exagerado.

— Isso. Quero que notem que eu cheguei.

Ela anotou alguma coisa, e as três voltaram a conversar em voz baixa. Pelo sorriso que trocaram, concluí que finalmente estávamos falando a mesma língua.

As medidas foram tiradas em seguida. Uma profissional segurava a fita métrica, outra ajeitava minha roupa e a terceira fazia anotações como se estivesse documentando uma descoberta científica.

— Pode erguer os braços, jovem mestre?

Ergui.

— Um pouco mais.

Ergui de novo.

— Perfeito.

— Vocês estão fazendo uma roupa ou dando uma martelada num prego?

A mulher que media minha cintura soltou uma risadinha.

— O senhor tem um senso de humor peculiar.

— Obrigado. Também sou bonito.

Ela riu novamente. Finalmente, alguém naquela sala tinha bom gosto.

Depois de mais algumas medidas, chegaram a um acordo: um traje marfim, com camadas de tecido leve, mangas amplas e detalhes prateados discretos. O corte destacaria minha silhueta sem exageros, e o caimento acompanharia meus movimentos.

Bonito, elegante e chamativo. Exatamente o que eu queria.

Nos dias seguintes, a roupa foi preparada e ajustada. Quando chegou a hora da prova, as profissionais me ajudaram a vestir cada peça, ajeitaram as mangas e conferiram os detalhes.

Então me colocaram diante do espelho.

Fiquei em silêncio.

Não porque estivesse emocionado, muito menos porque tivesse descoberto alguma coisa profunda sobre mim mesmo.

Eu estava em silêncio porque, porra, eu estava bonito.

O traje marfim caía perfeitamente sobre o corpo esguio de Lith. As camadas leves davam movimento à roupa, os detalhes prateados refletiam a luz discretamente e o cabelo escuro emoldurava aquele rosto delicado. Era refinado, elegante e, infelizmente, muito mais bonito do que qualquer roupa que eu teria escolhido sozinho.

Virei de lado, depois para o outro. Ajeitei a gola.

— Caralho.

— Ficou satisfeito, jovem mestre? — perguntou Mirelle.

— Satisfeitíssimo.

— Tenho certeza de que será uma das presenças mais comentadas do baile.

Abri um sorriso convencido.

— Eu também.

As profissionais recolheram os materiais e se despediram, satisfeitas com o resultado. Eu ainda estava admirando meu reflexo quando Helena entrou no quarto.

Ela parou à porta e me observou por alguns segundos.

— Você está muito bonito — comentou.

— Obvio.

O sorriso dela desapareceu.

— Lith, você não era assim.

Franzi a testa.

— Assim como?

— Arrogante. Impaciente. Respondendo a todo mundo como se estivessem tentando ofendê-lo.

Abri a boca, mas ela continuou:

— Você sempre foi educado, gentil com os criados e atencioso com os convidados. Nos bailes, todos queriam sua companhia. Você sorria para as pessoas, conversava com quem estivesse sozinho e fazia os outros se sentirem bem-vindos. Era uma das presenças mais queridas da família.

Helena baixou os olhos por um instante.

— Agora, mal reconheço você.

Aquilo me deixou desconfortável. Não porque eu me importasse particularmente com a reputação de um sujeito que nem conhecia, mas porque ela parecia preocupada de verdade.

— Talvez a pancada tenha sido tão forte que me fez mudar — respondi, apontando para a cabeça. — Vai ver afetou alguma coisa aqui dentro.

Helena não riu.

— É justamente isso que me preocupa. Você não se lembra de coisas importantes, age como se não conhecesse pessoas com quem convive há anos e fala de um jeito que nunca ouvi antes. Não sei se a queda explica tudo.

Engoli em seco.

Eu continuava convencido de que estava em coma, mas ouvir aquilo de alguém que conhecia Lith desde sempre tornava a situação um pouco mais esquisita.

— Eu estou bem — garanti. — Só preciso de um tempo.

Ela me estudou por mais alguns segundos e então se aproximou para ajeitar uma das mangas do traje.

— Espero que sim. Só tome cuidado no baile, está bem? Não precisa ser perfeito. Apenas tente não se meter em problemas.

— Helena, você está falando com um homem preparado.

Ela suspirou.

— Essa frase me preocupa mais do que deveria.

— É porque você não confia no meu potencial.

Helena balançou a cabeça, mas não insistiu. Antes de sair, lançou mais um olhar para a roupa.

— Pelo menos você escolheu algo bonito.

— Eu tenho bom gosto.

— Naturalmente.

Quando fiquei sozinho, voltei a encarar o espelho.

O traje era impecável. A roupa chamaria atenção, eu chamaria atenção e tudo daria certo. Não havia motivo para preocupação.

Eu tinha comida boa, roupas caras, uma cama maravilhosa e nenhum chefe enchendo meu saco. Se precisasse passar mais algum tempo naquele coma, poderia ser muito pior.

O baile estava chegando, e eu pretendia arrasar.

Afinal, eu podia estar preso num coma absurdo, usando o corpo de um ômega e sendo tratado como se fosse uma flor de estufa, mas ainda era Carlos Duarte.

E Carlos Duarte não perdia uma oportunidade de impressionar.

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