Capítulo 6: Uma problema.
Capítulo 7 · 6 min de leituraClassificação +18: conteúdo adulto

Cassian... Eu estava furioso. Na verdade, fiquei furioso de um jeito que não sentia há muito tempo.
Os corredores do palácio passavam borrados diante dos meus olhos enquanto eu caminhava rapidamente para longe da sala de jantar.
A imagem daquele maldito sorriso não saía da minha cabeça, aquele olhar satisfeito, e aquela expressão claramente divertida.
Kael tinha feito aquilo de propósito.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo, e isso só me deixava ainda mais irritado.
Na minha vida passada, ele tinha me matado, e nesta vida, aparentemente, tinha decidido me atormentar primeiro.
Ótimo. Maravilhoso. Era exatamente o que eu precisava.
- Alteza!
A voz surgiu tarde demais, eu estava distraído demais para reagir, e acabei esbarrando violentamente em um criado que carregava uma bandeja.
O homem perdeu o equilíbrio, e a bandeja caiu no chão, fazendo barulho ecoou pelo corredor.
Pratos quebraram, e copos se estilhaçaram.
E alguma coisa dentro de mim simplesmente explodiu.
- Você não olha para onde anda?!
O criado congelou instantaneamente.
- E-Eu peço perdão, Alteza... - Perdão? - rebati. - Perdão não vai consertar isso!
O homem empalideceu.
- Eu... - Incompetente!
Minha voz ecoou pelo corredor.
- É impossível fazer uma tarefa simples neste palácio?!
O criado abaixou a cabeça tremendo, exatamente como costumavam fazer.
E só então, eu percebi o medo.
A forma como ele evitava olhar para mim, e meu estômago a fundou.
Droga, eu tinha feito de novo.
O criado continuava imóvel, provavelmente esperando mais gritos, insultos, como acontecia antes.
Mas a raiva já estava desaparecendo, sendo substituída por algo muito pior.
Vergonha.
- Apenas... limpe isso.
Minha voz saiu mais baixa, talvez muito mais baixa.
- Sim, Alteza.
O homem se ajoelhou imediatamente, sem sequer me olhar.
E eu simplesmente fui embora, porque não conseguia suportar aquilo.
Kael.
A culpa era dele, inteiramente dele.
Enquanto caminhava pelos corredores, agarrei-me àquela conclusão.
Era culpa dele, eu estava realmente tentando.
Não era fácil, eu tinha passado a vida inteira sendo quem era, mas estava tentando.
Pelo menos com os criados, pelo menos com as pessoas que não tinham poder para se defender.
Nos últimos dias, eu tinha feito um esforço genuíno, que parecia estar funcionando.
Os empregados já não fugiam quando eu aparecia.
E alguns até conseguiram conversar comigo sem parecer que estavam prestes a morrer, era um progresso.
Pequeno, mas era.
E então aquele idiota apareceu, e bastou um único almoço.
Uma única conversa, uma única provocação. Para eu estragar tudo.
Fechei os olhos, frustrado.
Talvez eu fosse mesmo uma pessoa horrível, e mudar fosse mais difícil do que imaginei.
Não, balancei a cabeça.
Eu não podia desistir, mas também não podia continuar encontrando Kael. Quando finalmente cheguei ao meu quarto, bati a porta atrás de mim.
Com força, muita força. Ótimo. Perfeito.
Era exatamente isso, eu ficaria ali. Trancado, seguro. Bem longe daquele homem.
Logo ele iria embora, e tudo voltaria ao normal, e eu não precisaria mais vê-lo, era um plano excelente.
Infalível, ou pelo menos deveria ser.
Mas infelizmente, eu tinha apenas esquecido um detalhe, meus pais.
- Não. - Sim. - Não. - Sim.
Fechei os olhos, e respirei fundo. E os abri novamente.
Minha mãe continuava sentada diante de mim, sorrindo. Aquele sorriso que significava que eu já tinha perdido a discussão.
- Eu não quero ir. - Vai apenas por algumas horas. - Não quero. - Cassian. - Não - Prometo que te compensaremos bastante depois, filho. - Mas eu não quero.
Meu pai suspirou, claramente cansado.
- Apenas apareça. - Por quê? - Porque você faz parte da família imperial. - Isso nunca pareceu importar antes.
Minha mãe me lançou um olhar reprovador.
- Cassian.
Suspirei dramaticamente, porque era óbvio que eu não venceria.
Nunca vencia quando ela decidia alguma coisa.
—-
No fim, acabei comparecendo, contra minha vontade.
O salão estava cheio, com música, nobres, diplomatas, e com muita comida. Exatamente o tipo de evento que eu costumava gostar, mas agora parecia apenas cansativo.
Meu plano era simples, ficaria uma ou duas horas, sorriria quando necessário, e não falaria com ninguém. E, principalmente, nem olharia na direção de Kael.
Perfeito, simples, e seguro.
Era funcional, ou pelo menos funcionaria se Kael cooperasse. O que claramente não fazia parte dos planos dele.
- Príncipe Cassian.
A voz surgiu ao meu lado, e meu humor morreu instantaneamente.
Virei o rosto para o outro lado, ignorando completamente sua existência.
Talvez ele entendesse a mensagem, e fosse embora.
Uma risada baixa interrompeu meus pensamentos, e meu olho quase se desviou para o seu rosto
- Os rumores realmente estavam certos. Pronto, agora ele estava provocando deliberadamente.
- A personalidade do terceiro príncipe é realmente terrível.
Respirei fundo, muito fundo.
Mas não funcionou, porque acabei olhando para ele. E pela expressão satisfeita que surgiu em seu rosto, percebi imediatamente que tinha caído na armadilha.
Idiota.
- O que você quer?
Minha voz saiu carregada de irritação.
- Nada em especial.
Claro.
- Só estou tentando ser amigável. - Comigo? - Sim. - Por quê? - Porque você é a única pessoa da família imperial que ainda não conheci direito.
Eu quase ri.
- Não precisa se preocupar com isso. - Não? - Não.
Cruzei os braços.
- Você pode gastar sua energia conversando com minhas irmãs.
Ou com políticos. Ou ministros. Ou qualquer outra pessoa, menos eu.
- Então você está me dispensando? - Estou. - Que cruel. - Vou sobreviver.
O sorriso dele aumentou, e aquilo só piorou meu humor.
- Você realmente não gosta de mim. - Finalmente percebeu. - Curioso. - O quê? - Nunca fiz nada contra você.
Meu maxilar travou, porque ele não fazia ideia nenhuma.
- Ainda.
A palavra escapou antes que eu pudesse impedir, os seus olhos escarlates se estreitaram levemente.
- Ainda? - Você está se achando importante demais. - Talvez.
A conversa já estava atraindo atenção.
Eu podia sentir, os olhares e os cochichos.
Os nobres observando discretamente, exatamente o que eu queria evitar.
- O que está acontecendo aqui?
A voz do meu pai interrompeu a tensão.
Graças aos céus, ou não. Ainda não tinha decidido.
O imperador aproximou-se rapidamente, claramente preocupado.
Olhou para mim, depois para Kael, e para mim novamente. Como alguém tentando impedir um incêndio antes que ele começasse.
- Cassian. - Pai. - Talvez você esteja cansado.
Ah, excelente ideia.
- Talvez esteja. - Então deveria descansar. - Concordo.
Nem esperei uma segunda sugestão, iria aproveitar imediatamente essa.
- Com licença.
Virei as costas, sem reverência, cerimônia ou educação.
Simplesmente fui embora. Enquanto atravessava as portas do salão, senti o olhar de Kael acompanhando cada passo meu, e isso só reforçou uma certeza.
Aquele homem era um problema, um enorme problema. E, de alguma forma terrível, eu tinha a sensação de que ele ainda estava apenas começando.